terça-feira, 21 de julho de 2009

Morte


Todos os dias
penso na minha morte
prematura e jovem
e em tudo que deixaria
nos mundos individuais e particulares

Penso nisso
não de uma forma mórbida
mas, com nostalgia
de um desejo egocêntrico
e presunção de tornar-me insubstituível

E prospectivo tudo
quem choraria, sofreria
nas dores e saudades que causaria

Em como as pessoas tentariam
decifrar-me através de linhas que escrevo
dos momentos que vivi
dos rastros de incompreensão
solidão
decepção
depressão
perda
amores
conquistas
superações
e felicidades

Quando penso que os bons morrem jovens
penso em como eles permeiam o inconsciente mais profundo
de almas marcadas pelas dores do mundo
e dos corações mais solidários

A verdade é que as pessoas só se chocam
se paralisam
e lembram
do que é fora do normal
excêntrico, catastrófico
inesperado

Nessa perspectiva
bons morrerem jovens
é uma maneira
de guardar-se
de maneira profunda
no imaginário
de um coletivo de submundos

Mas, calma
isso são só pensamentos
não tenho tendências
físico-destrutivas
ou suicidas
no máximo pensamentos degradantes
de uma existência errante

Talvez tudo isso seja apenas o medo mais intrínseco
da solidão e do esquecimento
de terminar os dias
de cabelos brancos
sem companhia
legado
e descendentes

Pois assim preferiria
morrer jovem

Na dúvida
vou escrevendo mais protótipos de poemas
que talvez nunca sejam lidos pela maioria
a não ser no caso de morte

Tenho um desejo imenso de gritar
de ser ouvida, lida, estudada, analisada
e principalmente amada
isso quiçá pela história
sucessiva de rejeições e perdas
que são muito mais prolixas
do que eu possa deflagrar

Eu penso em minha morte
e na sua
quase todos os dias....

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Nós


Eu quis tanto te achar
que acabei me perdendo
nas minhas próprias dúvidas
inseguranças e indecisões

Achava que tudo era normal
que podíamos ter uma relação casual
sem cobranças, laços ou títulos
e por tempos foi bom assim

Eu te queria
você me queria
e isso bastava

Mas, você me deixou solta
e eu não estava muito acostumada a ser livre

Sua inconstância
me deixou confusa
e eu quis ir
por medo de ficar

Desencontros de um encontro nada habitual

Me acostumei com sua presença ausente
com seus carinhos
seguidos de indiferença
e com sua vontade de não me deixar chegar muito perto

Muitas coisas foram ditas, vividas e sofridas
por tudo que passamos e ouvimos
nos mantemos numa posição defensiva
inclusive de nós mesmos

Achava que não nos encaixávamos
no perfil esperado de nossas expectativas
e que isso era recíproco

Mas, de repente percebi que não éramos tão diferentes assim
que nossos valores não eram tão desiguais
e que nossos hábitos poderiam ser moldados

Sem querer fui me envolvendo, me entregando
agora estou aqui sem saber como agir
pela primeira vez estou com medo
de não conseguir lidar com meus sentimentos

Fui mau acostumada
a ser conquistada
idolatrada e única

Agora vem você
mesmo sem querer
me fazendo ter calafrios
mãos suadas e um coração descompassado

Me deixando insegura
me envolvendo em um jogo que não sei dar as cartas
me fazendo pensar se isso tudo é só por pirraça
ou o início de uma grande virada

Não sei se muito tarde
mas percebi que você tem muito do que quero pra mim
e talvez eu esteja até preparada para os seus defeitos

Você pode não ser o príncipe encantado
mas parei de tentar beijar sapos
e de ler histórias infantis
só quero alguém de verdade
para me calar o resto de solidão e compartilhar sonhos

Não quero dizer nada mais do que essas palavras
não existe nada nas entrelinhas
é que eu precisava ser sensata
honesta com meus sentimentos
e com meus desejos

Agora eu quero você
e você parece não querer
apesar de dizer gostar
você não faz muito para preservar
isso que ainda não tem nem nome

Até admito que às vezes cobro demais
mas, não entenda errado
é que não me contento com meios termos
preciso de intensidade e falta de ar

Por enquanto só tenho a aguardar
essa sua confusão passar
entendo que até dei motivos para sua retraída
mas, estamos em uma nova fase

Só não demora muito a chegar
pois não estou acostumada a esperar
e talvez essa seja a grande diferença...

Calafrios


Assim como a noite
carrego minha própria escuridão
cheia de medos, sombras e solidão

Estou a deriva de mim mesma
de repente uma leve brisa
me faz gelar a espinha
ter calafrios
mãos suadas
e um descompasso nas batidas do coração

A ansiedade toma conta de mim
e eu me paraliso
em um olhar
um cheiro
numa presença ausente

Tudo é novo
como se fosse a primeira noite
de lua cheia
após tempos de neblina

Tudo que se escondia
agora surge resplandecente
com muitas incertezas
e momentos de euforia

Quero calar a noite
não quero mais ouvir cochichos
nem os grilos
apenas sentir a suave brisa
percorrendo meu corpo
e me deixando em harmonia

Cansei da noite
talvez queira ser dia
para aquecer minha alma
ofuscar a solidão
e matar a nostalgia

Noite apenas para os vinhos
para as brisas
os sussurros
as declarações insanas
causadas pelas mãos suadas
de um coração descompassado

domingo, 28 de junho de 2009

Quero um amor que ainda nem existe


Não quero mais passatempos
não quero mais lançar-me no vazio
de bocas e corações levianos
não quero mais relações fugazes e baratas
de apenas um instante de algumas horas ou dias

Não quero ser marionete ou coadjuvante
nem prêmio ou troféu
nem falta de opção ou comodidade
nem cair mais na brevidade dos desejos momentâneos

Quero ser mulher
quero ser amada
quero um amor de verdade
com todos os defeitos e qualidades
que se possa permitir

E não é esse amor dos romances e canções
o que eu quero é alguém real
que me faça rir
que me faça chorar
que me faça faltar ar

Quero alguém que possa ser meu
sem o egoísmo e possessão que possa parecer
quero apenas alguém que me faça bem
que me faça amar

Quero alguém pra dividir os dias
compartilhar momentos
planejar vida
realizar sonhos

Quero alguém que ainda não tive
pra experimentar um amor que ainda nem existe
mas, que nasce de um desejo profundo e prolixo
de amar de corpo e alma...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aos meus amigos-irmãos


Sem vocês eu seria um pouco mais triste
um tanto mais solitária
mais amarga e sem graça

Sem vocês eu não teria rido de piadas mau contadas
não teria repassado fofocas desnaturas
nem teria saído feito louca de madrugada

Sem vocês eu nunca teria conseguido superar uma depressão
me recuperado de uma grande perda
ou parado de rir com um sossega leão

Sem vocês eu não teria me arriscado por outros caminhos
nem realizado muitos sonhos
e tão pouco superado grandes amores

Sem vocês eu não teria tomado banho de chuva
rolado pelo chão
nem andado de pé descalço

Sem vocês eu não teria corrido nenhum quarteirão
aprendido a cantar músicas sem noção ou de outra estação
nem inventado passos descompassados

Sem vocês eu não teria chorado de emoção
nem encontrado ouvidos para alugar com devaneios insanos
e eternas inquietações de vazio

Sem vocês eu não teria aprendido a pedir desculpas
nem a voltar atrás depois de uma grande burrada
ou a seguir depois de uma grande decepção

Sem vocês eu continuaria vendo o mundo cinza
nunca deixaria de ser menina
muito menos pararia de culpar o mundo pela minha insatisfação

Sem vocês eu filosofaria menos
sofreria mais
e ganharia pouco

Sem vocês eu viveria menos
eu riria menos
eu seria menos

Sem vocês eu nunca teria me tocado
de quanto a vida é bela e colorida
e de que eu tenho tantos irmãos
quanto vocês cabem no meu coração

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Partida


Durante muito tempo eu te guardei pra mim
porque a gente precisava um do outro
necessitávamos compartilhar parte das nossas vidas
existia uma dependência mútua
de interesses, olhares, bem-estar, cumplicidade e carinho

Por tudo que representamos um para o outro
por tudo que dividimos, somamos e multiplicamos
por um pedaço de vida que em algum momento foi compartilhado

Mas, não quero mais liberdades vigiadas
preciso romper com os laços
quero ser livre
quero andar pelas calçadas
quero gritar na noite palavras sem sentido
e cantar músicas que me lembrem outros corações

Chega de falsos sentimentos
e de “relações” fantasiosas
baseadas em uma amizade forjada
e sentimentos profundos

Estou partindo
agora de verdade
Chegou o momento
de você sair de mim
É hora do adeus

Que não seja para sempre
pois de alguma forma continuaremos nos melhores sentimentos
e nas maiores saudades

Mas, não! Não quero mais você tão perto
não precisamos mais disso
nossas vidas agora estão encaminhadas
e nossos corações quase preenchidos

Estamos libertos!
Vinhemos até onde era preciso
pegue sua estrada e siga seu caminho
eu também estou indo pra algum lugar de certo

E nesse momento não se fazem necessárias palavras bonitas
nem desejos de felicidades
pois sabemos o que levamos e o que deixamos
e com certeza guardaremos o melhor

Os olhos ainda enchem d'água nesse despedida
mas, é que há sempre dor na partida
e ditos não ditos

Os sentimentos não mudam quando as relações acabam
mas, sim quando o amor morre
ou quando muda de cor e de sabor

Na hora da partida te deixo um botão de rosa
uma canção
algumas lembranças
e essas palavras

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ocupado


Tenho ocupado o silêncio
com os ruídos do meu pensamento
as noites com minhas insônias
os sonhos com meus desejos

Tenho ocupado a solidão com minha presença
o passado com minhas aspirações de presente
o futuro com minhas insólitas perspectivas
as horas com um outro tempo

Tenho ocupado as estrelas com minha tristeza
o sol com minha ausência
o rio com minha falta excessiva de lágrimas
e o mundo com meu eterno vazio

Não quero ocupar mais nada
então vou tentar preencher-me de qualquer coisa
de mim mesma...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sou


Sou o que grito e o que calo
O que escrevo e o que apago
O que assumo e o que nego
O que amo e o que odeio

Sou o que o eu quero
e também o que quero não querer
Sou anjo e demônio
Controversa e desconexa
Prolixa e destoante

Posso ser seu sonho e você meu pior pesadelo
Gosto de doces e amargos
Sinto felicidades tristes
e tristezas felizes

Sou fogo e sou brasa
Gosto de lua cheia e de estrelas
Falo pelos olhos
minto pela boca
e tenho o costume de camuflar sentimentos

Posso te amar ou te odiar
e isso pode alternar
por frações de segundos
com motivos ou sem ruídos

Carrego mágoas que finjo não recordar
convivo com medos que tenho receio até de penar
tenho pavor da solidão
e faço dela minha mais fiel companheira

Sou calmaria e turbilhão
meu coração um furacão
Carrego um vazio que já faz parte da minha alma
e acho que nem me acostumaria mais sem ele

Sou melancolia e nostalgia
Tenho um instinto pessimista
mas, geralmente consigo o que quero

Sou feliz quando menos espero
gosto do acaso
e acho que tudo já vem meio que predeterminado

Não vivo de passado
mas, confesso que adoro rever pensamentos
momentos
e até falsos sentimentos

Sou isto e não sou nada
Talvez eu queira apenas te pregar uma peça
para que você entenda meu lado errado
e aí então me descubra de fato

Se eu fosse tudo que desejo
não caberia em um dia
nem em uma vida
muito menos em mim mesma

Apenas por prazer?


Porque mentes pra mim?
Porque brincas com a minha emoção?
Para o seu bel prazer
de ver-me iludida e enganada?
Por uma simples vaidade
de ver-me demasiada frustrada
e cheia de traumas?

Porque finges ser a mais pura verdade
aquilo que nem existiu em um ato?
Porque maqueias com cores cintilantes
esse olhar destoante e distante?

Porque joga com as palavras
e envolve-me nessas trapaças desavergonhadas?
Porque não paras de confundir-me
com esses sentimentos pobres e falhos?

Será que tua alma é tão egoísta
que não permite uma partida
de quem você não ama de fato?

Porque se isto que me ofereces for amor
declaro que se sensato for
não o oferecerias a nenhum caso
quanto mais ao acaso

Porque és pequeno e mesquinho
achas que pode torturar-me
com inverdades
de baixo quilate?

Não! Parei!
Não entrego-te mais nada!
Nem mais um minuto do meu tempo ou da minha agonia...
Já devia ter aprendido isso um dia
mas, gosto de desafiar
a lógica das relações artificiais...

Não quero ferir-te a auto-estima
você até que satisfez-me o ego no momento certo
mas, cansei de arriscar
o que ainda resta-me da verdade maquiada dos corações errantes...

Verdadeiramente digo-te:
Mentiras sinceras não me interessam mais...
quero sentir borboletas na barriga!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sempre quero mais


Sempre quero mais
ar para respirar
tempo para o tempo
lua para as noites

Sempre quero mais
presenças e ausências
achar-me para perder-me
“ópio” para o ócio

Sempre quero mais
flores e bilhetes
cheiros e gostos
suores e salivas

Sempre quero mais
sons
sussurros
gritos e
silêncios

Sempre quero mais
eufemismos e
cavalheirismos

Sempre quero mais
borboletas na barriga
calafrios
e mãos frias

Sempre quero mais
verdades inventadas
realidades surreais
e fugas desconexas

Sempre quero mais
batidas descompassadas
sentimentos desenfreados
e calmarias nos atos

Sempre quero mais
não querer envolver-te
no meu querer

Sempre quero mais
fazer-me companhia
para não precisar da lembrança dos dias
que quis mais não querer-te

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fora do lugar


Às vezes tenho a sensação de que tudo está fora do lugar
e parece estar mesmo
Não sou mais a mesma
guardo mágoas em mim
a solidão virou a mais fiel das companheiras
e já não confio mais em ninguém

Minha alma anda perdida em uma imensidão
cheia de incompreensões, insatisfações
tristezas e rancores

Não sinto mais o perfume da rosa
as estrelas não iluminam mais o céu
a lua anda escondida entre as nuvens
e o sol anda se pondo antes da hora

Só ouço o barulho insistente dos grilos
os ecos do meu pensamento
e os ruídos da noite se confundem
com o som das minhas angústias

As feridas voltaram a sangrar
está tudo ficando cinza
e eu tenho medo
dessa tristeza reincidente

Tem dias que a dor fecha minha garganta
mas, hoje as lágrimas finalmente conseguiram rolar pela face
estava quase sufocando
perdendo o ar e os sentidos

O vazio anda maior ainda
meu olhar mais distante
sinto o compasso da respiração
mas, não mais o coração
parece que me arrancaram tudo
inclusive a minha própria verdade

Os dias continuam passando
pois o tempo é implacável
e vou retomando meu lugar por trás da janela
apenas observando e pouco vivendo

O que me resta
vai calando
deixando de lado todo esse desabafo
pra fingir que essa não sou eu

Como sempre tenho que juntar os cacos
trocar as flores do vaso
cumprir a rotina dos dias
sem me importar com a frieza dos meus restos de sonhos
com a dor da saudade
com o enfraquecimento do meu coração
e endurecimento da minha alma

Acho que sou eu que estou fora do lugar
me acostumei a sufocar sentimentos
fui muito fundo nesse momento
preciso de um banho quente
de cafeína
e de algumas horas da lua
para tentar voltar pra algum outro lugar
mais parecido com a frieza dos meus enganos

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Já faz algum tempo...


Já faz algum tempo que você partiu
mas, não posso dizer que a gente não se despediu
Naquele olhar, naquele beijo, naquele silêncio
estavam expressas as mais belas palavras sobre o verdadeiro amor

Tive tempo
de ver a tua luz
e de entender a sublimidade que envolve o grande mistério
dos encontros e despedidas

Já faz algum tempo que não sinto mais teu cheiro
que não ouço tua voz, que não vejo teu sorriso
que não sinto seu abraço, que não tenho mais o aconchego do teu colo
que não recebo mais teus conselhos

Mas, sinto você por perto
presente na força que me faz lutar
na energia que me fazer viver
e na felicidade que aprendi a buscar

Já faz algum tempo que que eu sinto essa saudade
que fujo um pouco da realidade
que fiquei um tanto mais endurecida
e com poucas lágrimas

É que eu aprendi com a dor e com a solidão
que preciso caminhar com meus próprios pés
É que depois da tua ausência
tudo parece pequeno

Já faz algum tempo que o pensamento, os sonhos e as intuições
são meu único caminho até você
que as memórias, as lembranças e os ensinamentos
são meus únicos acalentos

E cada vitória dedico a ti
na certeza de que estás comigo em todos os momentos
sorrindo ou chorando
pois sei que caminhas ao meu lado

Já faz algum tempo que não sei direito contar o tempo
pois tenho seu rosto no fundo dos meus olhos
como se há um minuto atrás
tivéssemos trocado um “Eu te amo” em silêncio

Meu Anjo Guardião
Minha Estrela Guia
Talvez eu ainda não tenha aprendido a rezar, então só sei dizer:
Mãezinha eu quero te ver lá no céu...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Frieza


Essa mania de frieza
é só uma reles sutileza
da minha fraqueza

Essa mania de frieza
esconde grandes tristezas
e muitas lágrimas não derramadas

Essa mania de frieza
reinventa perdas
e recodifica dores

Essa mania de frieza
ignora a solidão
e manipula sentimentos

Essa mania de frieza
tem muita presteza
e várias faces

Essa mania de frieza
ameniza saudades
e sacia amores

quarta-feira, 4 de março de 2009

Agora começa


Acabou o carnaval! Passou a quarta de cinzas! Não tem mais choro nem reza! Agora a vida começa! Trabalho, chefe, cobranças, cartões de crédito, horários! Mas, tudo bem! Precisamos disso para manter uma ordem, se não vira orgia! Outros focos, outras metas, muitas novidades, grandes bençãos Divinas! Mas, volto logo aqui pra desalinhar o que não anda muito arrumado! Sem plagiar os modismos soltos por aí... Namastê!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Marcas


O sorriso, o olhar, o jeito de falar
a cara massada ao acordar
o bom dia meio sem graça
cheio de marra
o erro querendo acertar
o pedido de desculpas que faz calar

O jeito de arrumar o cabelo
as promessa impagáveis
as juras eternas
a lágrima não derramada
a palavra não dita

A trilha sonora
o suspiro, o cheiro, o gosto, o desgosto
o salto, o sobressalto, o enlaço, o desenlace
a lua que estava cheia, o sol que brilhava
o rio que banhava

As flores não dadas
os cartões guardados
os presentes e as ausências
o temperamento e o tempero

O ciúme, a posse, a liberdade
os lugares inexplorados
as fotografias, a falta de registros
as capturas oculares

Os sonhos, as ideologias
a tarde fria, a noite quente
o vinho sem jantar
o violão sem luar
o barco sem velar
a lua sem o mar

O abraço, o aconchego, o desprezo
o ar e a falta de ar
o ir e o ficar
a memória, as lembranças e a saudade

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Desejos


Queria poder ter tudo aquilo que desejo
mas, isso seria demasiadamente arriscado
já que desejo o que não posso ter
e o que não devo querer

Sou um turbilhão
e o que hoje quero
amanhã já não quero mais
então, como desejar ter
o que amanhã não vou amar

Desejaria só por um dia entender toda essa confusão
fazer uma visita ao meu coração
ser um turista nos meus sentimentos
ou um decodificador de sonhos

Essa loucura parece não ter fim
e a cada dia que passa
a ansiedade consome meu resto de sanidade
e a minha alma

Nem sei mais o que desejo
fico louca por seus beijos
mas, só por hoje
pois amanhã não te quero mais
ou quero não querer-te

Isso não é proposital
e de tão casual
acaba ficando banal

A culpa é do meu coração
que não decide então
o que desejar
nem pra onde olhar

E eu vou seguindo
desejando não ter desejos
querendo não alcançar teus beijos

O que eu desejo de verdade
é amar-te
alguém para amar-me
e desejar
calar-me o resto de solidão

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ainnnnnnnnnnnn


Tem dias em que tudo me irrita: a água fria, o tempo quente, a comida mal temperada, o cabelo sem brilho, as gorduras localizadas, os primeiros cabelos brancos, as celulites, e as iniciais marcas de expressão. As conversas e as vozes tornam-se insuportáveis. As desculpas não me interessam, os versos não me completam, a música não me agrada, os sentimentos não me comovem.

Percebo que preciso de óculos, menos ócio, e mais “ópio”. Evito pessoas, presenças e telefonemas.
Me entupo de chocolate e fico com desejo de sumir em meio ao nada.

Não consigo concluir etapas, fechar ciclos, daí vou me dividindo e perdendo-me onde acho. Sofro de mau-humor repentino, e em um minuto eu posso te odiar, nesse caso prefiro me afastar, pra não ter que me desculpar quando isso tudo passar.

Só dá vontade de chorar, comer e me isolar. Entro em crise de carência e existência. A nostalgia e o tédio viram companheiros e a minha presença insuportável. Até o amor fica sem graça, e eu não quero nem te ver no portão da sala para não abusar tua cara.

Acho melhor então ficar em casa, poupar a tua raiva e a minha serotonina baixa...

Tudo isso por causa... de uma TPM braba!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Não sou



Ser poeta é deixar transparecer
tudo aquilo que a maioria das pessoas tenta esconder...
Não sou poeta
mas, extravaso sentimentos!

Em branco


O silêncio da noite me tranquiliza
traz calmaria
transforma fogo em brasa
lembranças em nostalgia

O sol foi embora
e levou com ele todas as agonias
que retribuíam
ao meu ócio dos últimos dias

Estou sem inspiração
nem a lua e uma bela canção
fazem-me ter idéias
e as páginas vão continuando em branco

Olho, escrevo, apago
retomo e reato
mas, tudo não passa de versos desconexos
e sem nenhum entusiasmo

Acho que estou em crise
e tenho medo que essa reincidência
cause sequelas aparentes
e transtornos para o meu inconsciente

Deixa então eu aproveitar a noite
para descansar meu coração
acalmar minh'alma
porque logo vai ser dia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O amor é brega


Acabei de escutar que o amor é brega
que dizer eu te amo é cafona
daí eu me pergunto
no que se transformou o amor?

Isso me faz pensar que talvez ele nem exista mais
pois as relações hoje são diferentes
não se fazem mais amantes como antigamente
não existe mais intensidade em nada

Simplesmente as pessoas se relacionam por conveniência
por uma bela aparência, cifrões ou acordo de corpos
parece existir apenas uma reles convivência
e uma boa pegada

Pra maioria dos jovens isso basta
e todo o resto vira fumaça
perdida em meio a trapaças
e belas noitadas

Não me venha com novas teorias
o amor pra mim vai existir um dia
não me venha com tanta modernidade
pra que o amor acabe

Sou aberta e consciente
de que as coisas andam meio mudadas
mas, não abro mão do amor
ainda que pareça antiquada

Talvez apenas por pirraça
eu fique cafona pra mostrar-lhe o amor
ou talvez não
porque o amor parece não merecer-te...

Ah, se tivesse explicação


Ah, se a paixão tivesse explicação
eu não viveria assim
achando que as horas não tem fim
e que a saudade é sentimento insistente

Ah, minha vida, meu amores
que nem sei direito se fosses
guardo tantos pedações em mim
e me perdi em tantas partes

De repente tudo volta
tentando me sufocar
e aí só me resta pensar
que vontade dá e passa

Vontade de viver momentos
matar saudades
viver outras verdades
fazer outras escolhas

Vontade daquele abraço
daquele braço
daquele barco
daquele acaso


Ah, meus sonhos, minhas fantasias
que se fizessem dia
não me faltariam sóis
que em noites
não me faltariam luas

Ah, minhas dores
que de tão sufocadas fostes
pareciam não existir
pela pressa de ir

Ah, meus senhores
que se condensá-los fosse
morreria de amores
e viveria de ébrio

Ah, memórias
que não deixam esquecer-me de nada
nem dos mais distantes dias
que contigo dividia

Ah, pobre coração
que guarda tantos rubores, humores e amores
que não deixa passar nada
nem as paixões de pirraça

Ah, sentimento leviano
que mentes para o meu inconsciente
confunde o meu resto de lucidez
e mistura tudo em uma só alma

Ah, pobre martírio
mandar-te-ei para um exílio
para que não me deixes de castigo
pela confusão da minha emoção

Acorda pra ver!!!


Já é carnaval cidade! Acorda pra ver!
Inspirada pelos versos do compositor baiano Gerônimo, me ponho a divagar sobre o grande carnaval que bate a minha porta (quase que literalmente, pois moro a poucos metros do corredor da folia).

Carnaval de Juazeiro – o pré-carnaval da Bahia, é com esse slogan que se inicia hoje mais uma folia de momo no norte baiano. E eis que surge em minha mente as primeiras inquietações: essa ainda é uma festa popular??? qual a conotação que possui hoje?

Depois de apagado por alguns anos, o antigo Juá-Fest ressurge imponente, com o resgate de tradicionais blocos, trazendo atrações nunca antes vistas na avenida (para felicidades dos chicleteiros), os bons camarotes com all inclusive ou apenas open bar, e para apimentar mais uma polêmica não poderia faltar.

Notícia do portal SG News: “Por orientação da Polícia Militar e do Conselho Nacional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Juazeiro (CREA), ficou determinado a instalação de um portão na orla fluvial da cidade, circuito oficial do pré-carnaval, que irá separar bloco de pipoca”.

- Ué! O carnaval de Juazeiro foi privatizado???? Quase meus caros amigos! Mas, a resposta aqui não seria essa. O motivo do tal portão é para “seguridade” do folião. Ainda segundo informações do portal a medida será aplicada por questões de segurança e prevenção, devido a falta de estrutura e má conservação das placas existentes na orla, estas podem cair e provocar acidentes.

Com isso acho que o atual administrador do nosso município, que acaba de assumir, pega sua primeira batata quente – é o que posso chamar de presente de grego. Se ficou constatado que existe realmente um risco de acidentes, o melhor a se fazer é realmente prevenir, para não ter que remediar. Mas, vamos um pouquinho mais longe nisso...

Se foi detectado risco foi porque não houve manutenção ou preocupação com a infra-estrutura da cidade. Lembro-me que há algum tempo atrás esse mesmo trecho ficou interditado por longos meses (ou melhor anos), para colocação de mesas por restaurantes ou bares da orla, com a alegação de que aquele espaço ficaria reservado para o pedestre, turista, prática de lazer, caminhadas, etc. Enfim, muitos bares na época fecharam suas portas, e nada foi feito pelo lazer dos juazeirenses, nem a manutenção das tais placas agora em questão.

Então, na falta de outro paliativo imediato, sobe-se um portão e separa-se o folião de bloco do folião da pipoca! Mas, não são todos foliões? Porquê um fica de um lado da corda ou do lado de fora do portão? Com meus 26 anos ainda consigo lembrar do carnaval de rua em Juazeiro, com batucadas, escolas de samba, fantasias, e todo mundo junto se divertindo nas ruas apertadas da minha querida cidade do Vale. Que saudade...

O que infelizmente percebe-se é que há um enfraquecimento dessa festa popular. Cada vez menos ela é feita para todos. E os blocos, camarotes, e afins abrilhantam a festa para poucos. A grande maioria apenas assiste, olha e deseja estar naqueles metros quadrados (dize-se de muita gente bonita) cercados por uma corda e um monte de seguranças – que se preocupam muito mais em colocar para fora algum atrevido que não esteja com a veste adequada (o abadá), do que com o filhinho de papai que está cheirando lança ou procurando confusão bem ao seu lado.

Uma da festas mais animadas e representativas do mundo, que tem sua origem no entrudo português, num período anterior a quaresma e um significado ligado a liberdade. E acho que ainda o tem, no sentido literal da palavra, pois vi esses dias na página de relacionamentos (ahhh... orkut mesmo), de um amigo meu, o nick: - no carnaval ninguém é de ninguém. Nossa! Confesso que isso me deu um medo! Quer dizer que tudo muda no carnaval? Inclusive as relações?! Depois tudo volta ao normal? Ui! Não quero nem pensar....

Bom... dentro da corda ou fora da corda, passando pelo portão ou não, em cima ou em baixo da avenida, de abadá ou sem abadá, com pulseira ou sem pulseira, vamos para rua em paz, sem armas, e com muita paz no coração! Ah, não esqueçam de usar camisinha! O resto dessa história a gente debate depois, pois a energia do carnaval é tão contagiante que até as polêmicas viram piadas...

“Eu fui atrás de um caminhão, fazer meu carnaval, que o carnaval é feito no coração...”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Conflito


Sentimentos conflitantes
se debatem entre si
uma hora são cereja
noutra são caqui

Vão pela direita
depois querem voltar
tomam o caminho errado
e ficam a querer se camuflar

São voláteis e efêmeros
fugazes e baratos
não duram mais que um breve instante
não duram mais que a eternidade
não duram mais que o seu pensar

Podem ser profundos e complexos
honestos e irracionais
prolixos ou casuais
obtusos ou diagonais

Conflitantes
com uma mão dupla
pra ir e voltar
ou apenas só ficar
numa hora são retas
noutra linhas curvas

Hoje não estou a fim...


Hoje não estou a fim de nada! Vá ler um bom livro, ouça uma boa música, saia com amigos, namore, cante, pule, dance, vá ao teatro, ao cinema. Converse com seus pais, seu avós, irmãos. Faça algo que deseja há muito tempo. Ligue pra um amigo distante, diga a alguém o quanto você o ama, faça alguém sorri, dê colo a quem precisa, desabafe se for preciso, perdoe se for o caso, fique sozinho se necessário. Mas, faça alguma coisa!

Não deixe o tédio, o ócio, ou a nostalgia tomar conta de você... Não deixe a saudade ser maior que a sua vontade. Não deixe que te roubem seus pensamentos. Não deixe a insegurança te paralisar. Não deixe pensamentos tolos te perseguirem. Não deixe o amor te sufocar. Não deixe a carência te atropelar. Não deixe o ciúme te abobalhar. Não deixe a vida passar...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Melhor não escutar


Você escuta pensamentos?
Às vezes tenho medo dos meus
Porque alternadamente são mórbidos, sarcásticos e derrapantes

Penso que vou desfalecer, desaparecer
e as linhas a que me proponho
são tentativas desenfreadas
de guardar-me para posteridade

Porventura mato quem amo
reencarno pesadelos
com ou sem objetivos
outrora por mera prospecção

Penso em chegadas e partidas
momentâneas ou definitivas
em portos e derivas
e conto de trás para frente

Vejo-me sem pessoas e lugares
sem vida e sem amores
penso sentimentos maus
olhares lânguidos
e desejos perniciosos

Penso na dor e no sofrimento
no mundo como um confinamento
de almas perdidas e errantes
que tentam desesperadamente algum caminho
mais curto do que o de costume

Vou deixando tudo de maneira cadenciada
para que na hora da minha passagem
tenham relatos de mais profunda alma
com sentimentos exalantes
e uma vontade vibrante
de não esconder nada

E celebro, pois são apenas pensamentos
que por poucos momentos
transitam meu cerebelo
pois perigoso seria
se eles escapassem
e se fizessem verdades
no meio do dia
ou na sobra pitoresca da noite...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Saudade pra quem sabe?


Saudade existe pra quem sabe ter?
E quem sabe ter saudade?
É preciso saber pra ter saudade?

É preciso sentir, viver, amar, se entregar
pra ter saudade...
É preciso uma voz, um cheiro, o som de uma risada
uma melodia que embala, um desejo, um gosto, um lugar
pra ter saudade...

É preciso ser feliz
pra ter saudade...
É preciso cantar, dançar, flutuar
pra ter saudade...
É preciso prazer, um bem querer, e um dizer
pra ter saudade...

É preciso tocar, extravasar, pulsar, suar
pra ter saudade...
É preciso simplesmente calar, apreciar, contemplar
pra ter saudade...
É preciso um segundo, um momento, uma vida inteira
pra ter saudade...

E depois de fazer tudo que for preciso
Você aprende a ter saudade?
E compreende que ela pode ser maior que o mundo?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bicho Arredio


Sou isso, isto e aquilo
basta provocar
ou deixar passar
não gosto muito de regras
por isso não vou me lamentar
em ter que deixar você esperar

Falho com meus compromissos
sou bicho meio arredio
não me dou com cabrestos
e é bom parar de me testar
pois sei que poderia me organizar

Poderia, mas não queria
estava experimentando o mundo
vivendo paixões
matando saudades
vendo dias amanhecerem
para esperar anoitecerem

Antes que pergunte
sim! Gosto de escrever sobre felicidade
mas, estava ocupada demais
não podia parar
estava inebriada com meus próprios sentimentos

Talvez um dia eu conte
tudo que me enalteceu
ou talvez não
pra que você viva sua própria magia
Mas, baixinho vou sussurrando
foi o que de melhor me aconteceu

Estou renovada
mas, confesso que não pronta pra realidade
ainda ando sonhando acordada
e por isso pode ser que eu divague
mas, que graça teria se assim não o fosse

Vamos voltando
aos poucos vamos retomando
a cadência dos dias e das palavras
Só não crie muitas expectativas
sou péssima em atendê-las
prefiro deixar assim como está
fazendo surpresas ao seu pensar

Tanta felicidade deixou saudade
e por onde passo sinto presenças e sorrisos
ouço música e a sua voz
fecho os olhos e ainda posso tocar
em tudo que me fez amar

Assim são os momentos
vão voando e virando passado
passado de um futuro que eu quero ter
e de um presente que me faz viver
intensamente cada dia

Continuo arredia
e agora sigo pra onde minha felicidade está
então não tente me prender
aprendi a ser livre
inclusive de mim mesma
então (se quiser) apenas tente me acompanhar...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Jingle Bell! Jingle Bell!


Está chegando o natal e as tradicionais festas de final de ano, e essas datas sempre me trazem alguns questionamentos e inquietações. Vamos partir do princípio de que o natal seja uma data comemorativa da igreja Católica, que celebra o nascimento de Cristo e de que a passagem do ano seja um momento de reflexão e análise de tudo que aconteceu e de tudo que aspiramos para 365 dias que se seguem.

Quantas pessoas realmente lembram disso? Falo sinceramente... Você que por ventura esteja lendo esse texto já parou para pensar no real significado de tudo isso? Já parou na noite de natal, orou, agradeceu a Deus por estar em família (partindo do pressuposto de que você se reúna com sua família), e as dádivas Divinas, inclusive da própria vida? Ou simplesmente trocou presentes e ainda reclamou do que ganhou, pois foi inferior ao que deu?

Já parou na virada de ano e fez uma reflexão desse momento mágico? Ou simplesmente pulou três ondinhas (ou são sete?), comeu algumas uvas e fez qualquer outro tipo de simpatia só porque viu alguém fazendo e para não correr o risco de ter um ano de pouca sorte comprou até peça nova amarela (para trazer dinheiro – já que a situação está tão difícil e você tem medo que isso atinja também sua vida)?

Hoje o que vemos são datas quase que puramente comerciais. O governo e demais empresas privadas injetam dinheiro na economia (com o 13º salário), abusam das propagandas e agora até das promoções, para que as pessoas aumentem seu poder de compra, e consumam, consumam muito nesse cenário altamente capitalista. Esse é o período do ano em que o comércio mais bate recordes de vendas.

E o bom velhinho (digo Papai Noel), foi criado por quem? Será que simplesmente para incitar a compra de presentes? Porque realmente você não vai deixar seu filho, sobrinho ou alguém que você goste muito com o sapatinho esperando na janela...

Não quero destruir os sonhos de nenhuma criança, muito menos parecer radical, ao tecer esse tipo de comentário. Tudo tem dois lados. E se é bom para o comércio, é bom para economia, é bom para nós pobres mortais, pois afinal centenas de empregos temporários são gerados (esperança de muitos – que esperam o ano inteiro por essa oportunidade e que fazem das tripas, coração, trabalhando até às 23h da véspera de Natal – isso sem falar dos que trabalham nos dias 25 e 31 para proporcionar grandes festas e eventos – com o objetivo de tentar segurar o emprego após a euforia consumista, ou simplesmente para levar o pão de cada dia para casa).

Claro que é bacana a troca de presentes, a roupa nova no réveillon (para dar sorte), mas que não seja só isso. O grande problema é que tem gente que gasta o que tem, e o que não tem para muitas vezes apenas “impressionar”, e já entra o novo ano com mais dívidas, e provavelmente passe o restante dos meses tentando quitá-las ou amortizá-las.

Os apelos da mídia , de algumas campanhas publicitárias, para tentar sensibilizar as pessoas à caridade e à partilha, são até válidos de certo modo, mas com certeza as crianças que vivem em orfanatos e na rua não precisam de boa alimentação, roupas e brinquedos apenas no final do ano.

O perdão, a caridade, o respeito ao ser humano devem ser praticados diariamente, em todos os momentos. Portanto, não espere chegar as festas para ser solidário, para pensar no próximo, para perdoar, para dizer que ama, para se confraternizar com sua família ou amigos. Mas, se não foi possível durante os 12 meses – por qualquer motivo que seja, então aproveite sim o Jingle Bell.

Faça com que esses momentos sejam realmente especiais. Reúna pessoas que você ame, se puder viaje para passar o natal com seus familiares, se não puder reúna bons amigos. Abrace seus pais, seus irmãos, seus avós, diga o quanto eles são importantes, e o quanto é bom tê-los presentes em sua vida. Faça uma ligação para aquele amigo distante. Agradeça a Deus, faça uma oração – mas, uma oração de verdade, com todo seu coração. Entre em sintonia com o universo, com a natureza. Faça das falhas e dos erros, motivos para torná-lo uma pessoa melhor. Faça planos, trace metas, objetivos, pense onde quer chegar daqui a um ano. Seja feliz hoje pelo que tem, principalmente pela saúde. Não perca tempo. A vida passa rápido, e muitas vezes as pessoas que amamos são tiradas da gente muito depressa, e sem aviso prévio.

Ah, e troque de presentes sim, desde que isso não te deixe endividado. Se não puder dar um presente, dê um abraço, muitas vezes isso vale muito mais... Só não deixe de estar perto das pessoas que ama... Mais do que comemore, celebre!


Jingle Bell! Jingle Bell! Ho Ho Ho!
Feliz Natal a todos!

Todo mundo nasce para o que é


Às vezes fugimos de nós mesmos
da nossa essência
nos desviamos por caminhos confusos
e perdemos o eixo

Mas, a verdade é que tudo isso é passageiro
sempre voltamos ao começo de tudo
pra o que nascemos pra ser
pra o que fomos criados

E só com o tempo aprendemos
o que nos faz fortes
o que realmente importa
e começamos a encarar a maturidade como um fato

Começamos a apurar nosso gosto
a escolher as companhias
a entender que o meio influencia
e a não nos deixar levar pelas simples aparências

Aprendemos o real significado do ditado:
“antes só do que mau acompanhado”
e constatamos que temos mais dos nossos pais em nós do que imaginamos
e que isso nos faz um bem enorme

Deciframos a síntese de que:
o caráter vem com nossa essência
é moldado pela educação
e exterioriza na personalidade

Mas, não se preocupe em entender tudo isso agora
pois a maioria desses aprendizados vem aos poucos
se apresenta em capítulos distintos da vida
e quando você se der conta já se tornou pra o que nasceu

Não que me falte inspiração
e que eu queira economizar algumas linhas
mas é que não há muito o que explicar
um dia você vai entender e retornar pra onde deveria estar...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Se conselho fosse bom...


Dizem que se conselho fosse bom a gente não dava, e sim vendia. Mas, sem cobra-lhe o preço aqui vão alguns...

Nunca perca uma oportunidade, ela pode lhe levar para onde você realmente vai querer estar. Às vezes as oportunidades vêm camufladas, mas ao percebê-las arrisque, vá onde elas estão, e espere a colheita dos frutos.

Não guarde mágoas em seu coração... Como vi no nick de um grande amigo esses dias: guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra. Mas, como diz outro: no orkut só tem modelo e no msn só tem poeta... então fique com suas verdades e impressões!

Seja feliz sempre! Seja feliz hoje! Seja feliz todos os dias! Nem que seja por um minuto apenas! A vida é curta... então faça valer à pena! Descubra a mágica da vida e dos acontecimentos! A felicidade está ao seu alcance! Abra os braços e deixe ela chegar perto... experimente ser feliz...

Faça sempre o melhor que puder, em todos os sentidos, e faça por você – porque só assim você não corre o risco de se decepcionar! Além disso, o mundo não para de girar, e se você não obteve reconhecimento hoje, com certeza ele virá, e talvez venha no momento que você mais precise...

Se entregue à vida, ao amor, à felicidade. Sorria, chore, cante, sofra, brinque, extravase, morra de amor, se apaixone, perdoe, caia, levante, viva tudo intensamente! Só assim tudo valerá a pena...

E por último...

Siga sempre sua intuição! Ela é sábia...

Namastê!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma crítica às novas relações


Existem várias teorias e vários “teóricos” falando sobre a mudança das relações humanas, inclusive sobre a alternância dos conceitos “amorosos”. É um tema explorado por muitos, com ou sem substância, mas que povoa todas a mentes, inclusive de “filósofos” de mesa de bar como eu.

Entre chops, drinks, rodas de amigos, conversas banais, observações mundanas, e puro empirismo, fui montando minhas próprias concepções e citações.

Em menos de uma década podemos observar pontos relevantes de um novo comportamento sexual e “amoroso” de toda uma sociedade. – Repare que utilizo sempre o amor ou seus derivados aspado porque nem os conceitos de amor são mais os mesmos. O amor que inspirou grandes poetas, tornou-se banal, quando não supérfluo.

Relembrando a fase adolescente do meu distinto grupo de amigas, lembro-me como hoje (Nossa! Já se passaram bons anos!) de que nunca pregamos ser santas, às vezes até nos chamávamos de “piriguetes”, encarávamos muitos reggaes (como chamamos festas, baladas por aqui), regados a algumas cervejas e muito beijo na boca – principalmente nos bons carnavais da vida.

Mas, só isso! Tudo muito saudável (se é que pode-se dizer assim). Sempre fomos garotas decidas, determinadas e autênticas. Recordo-me bem das primeiras revelações a respeito de sexo. O máximo que os garotos desciam a mão era até a cintura, pegar na bunda já era desrespeitoso – apenas permitido para namorados. E nisso nós tínhamos 16, 17, 18 anos!

O que vemos hoje são garotas de 12, 13, 14 anos “ralando a tcheca no asfalto”, insinuando um ato sexual ao ritmo do bom pagode baiano, arrocha, e ritmos afins. E não fica só nisso, olhou, sorriu, elas pegam geral. De ficantes, os garotos passaram a “merendinha”, no sentido mais chulo que o termo possa oferecer. Uma noite de sexo muitas vezes é “paga” com algumas cervejas, uma volta no carro novo da “merenda” com um som estrondando os tímpanos, e músicas que provocam a libido.

Fidelidade, lealdade e respeito são palavras banidas do dicionário da maioria dos jovens. E a traição hoje virou ato corriqueiro, admitido e assumido por “putões” e “gostosonas”. É... não são só mais os homens que traem por prazer, as mulheres também, e quando o fazem são bem piores que a espécie masculina (e esse não é um comentário machista – apenas uma retratação da realidade).

A verdade é que os relacionamentos tornaram-se tão instáveis e fugazes, que muitos aceitam essa condição porque entendem que não vão encontrar nada melhor mesmo. Porquê muda-se o parceiro, mas não o “problema”. Como quase mais ninguém assume compromisso, os poucos que conseguem a façanha de manter uma relação em meio a micaretas, e calendários de festas (de pura pegação) o ano inteiro, se acham tão vitoriosos que pagam o preço (da traição).

Casamento ficou demodê, arcaico, e até um ato leviano, se pensado do ponto de vista que as pessoas já casam com o seguinte pré-conceito: se não der certo separa!. A instituição da família está falida. O “barato” agora é juntar as escovas de dente, e produção independente. Os filhos crescem sem referências, sem educação de berço (é... ainda acredito nesses valores), e o mínimo de respeito pelos pais (ou geradores). O “futuro da nação” serão os próximos “pegadores” (e tenho até medo de pensar com que idade começará a vida sexual e “amorosa” desses meninos e meninas).

Esses não são conceitos hipócritas, radicais ou repressores. Concordo que mulheres de verdade podem e devem viver sua liberdade sexual, ter suas aventuras, satisfazer suas fantasias e prazeres. Ter noites de sexo, sem amor, pelo puro prazer. Isso tudo acontece, e pode ser muito bom. O ponto chave aqui é respeito. Porque muitas mulheres lutaram tanto pela liberdade sexual que acabaram tornado-se objetos a disposição do reles prazer masculino.

A crítica é à banalidade das relações, inclusive das casuais. Porque muitas mulheres vão pra cama com “homens” que após o ápice do prazer sexual, não querem mais nem olhar para suas caras ou saber seus nomes. As mulheres abriram tanto as pernas, literalmente, que os homens não se preocupam mais nem em conversar dez minutos se quer com elas. E tudo acaba em meia hora (ou enquanto durar o gás do garotão)...

E o pior é constatar que tudo isso acontece com o consentimento das mulheres, porque se eles agem assim é porque elas permitem. Porque quando um não quer, dois não f... (já dizia o ditado)... Diante de tudo pergunto-me: onde tudo isso vai parar? - e a resposta vem a cavalo... (na cama de um motel! - na maioria dos casos).

sábado, 13 de dezembro de 2008

Solidão proposital e natural


Esses dias são de solidão
de profunda introspecção
tudo meramente proposital
quase natural

Dias assim sempre rondaram-me
e já foram bem mais extensos
de tal forma
que perdia a noção do tempo

Preciso disso pra tentar colocar
tudo no lugar
mesmo que o resultado
seja ainda mais desconexo

Tenho visitado memórias
glórias e fracassos
tentando entender
quais foram os meus passos

Sinto-me irritada
irritável
entediada
e sem a mínima sutileza

Tenho pensado muito
em nós, vós e outros
nos meus anjos e demônios
em tudo que era pra ser e não foi

Não estou boa pra conselhos
custo a me olhar no espelho
e não me venha com seus atropelos
tentando colocar razão na minha emoção

Não pense que submergi
mas, é que sempre fui assim
e só assim cheguei aqui
tudo isso sempre fez parte

Será que lhe desapontei?
Desculpe-me pelos rubores
mas, é que jurei
não mais me esconder

Então se hoje não quero conversa
me deixa, solta minha mão e entenda
que é em dias assim
que mais me revelo e mais me acho

Pois tenho temperamento reticente
olhar eloquente
humor alternante
e defeitos inerentes

Posso ser amarga
impaciente
injusta
e até arrogante

Melhor parar por aqui
pra você não achar
que não consigo me encontrar
volto ao ponto de partida

Pois prefiro ficar com a solidão
do que com seu julgamento
que pode ser pequeno
diante dessa imensidão do meu pensamento...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Penso que pensar menos


Tento organizar meus pensamentos
mas eles não obedecem
a cronologia do tempo

Eles vêm e vão
pra frente, pra trás
não tem começo, meio ou fim

Simplesmente perambulam
por uma sucessão de acontecimentos
que preferia nem lembrar

Mas, insistentes
me põem a divagar
por lugares que nem queria estar

Sem inspiração, causa ou consequência
eles aparecem e desaparecem
no meu infinito particular

Porém, não os culpo
pelo desconforto
afinal as escolhas não foram casuais

Queria lembrar-me apenas
daquele luar
e de tudo que fez-me feliz

Refutando...
não jogaria nada fora
pois tudo me trouxe ao que sou agora

É só uma mania passageira
essa de me reportar
ao que não vale nem se culpar

Isso não é um aporte nostálgico
poderia sê-lo
já que minha essência o é

Mas, é só um momento
dos meus pensamentos
que teimam em não silenciar...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Entrando para os palcos


Cansei de me esconder
quero mais é me expor
agora é assim que sou

Chega de medos
chega de ser quem não sou
saio da platéia
e entro para os palcos

Não gostou?
É banal? Trivial?
Sou tudo menos superficial!

Não quero agradar ninguém
apenas ser minha própria imagem
e me desvendar em linhas obtusas

Sou Anna
Mas, posso ser Srtª Gê
Depende de como você me vê

Confesso ser um prazer
me reapresentar pra você!
Não precisa se agraciar
apenas me acompanhar...

Julgue como quiser
quero mesmo é provocar!
Não vou atender a todos os seus anseios mesmo
esse é apenas um despertar...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

As inquietações de Fafinha


Não consigo ser superficial, sempre vou fundo, minhas emoções gritam, e vivo tudo muito intensamente. Prefiro sentir tudo, beber até a última gota, engolir tua saliva, respirar todos os cheiros, provar todos os temperos, e provocar todos os anseios.

Gosto de falar sobre o amor, tudo que ele traz ou de tudo que ele leva. E para nosso capítulo de hoje apresento-lhes“Fafinha”. Uma mulher de 60, mas com as mesmas inquietações e medos de um coração de 15, 20, ou 30.

Na hora do meu cigarro matinal (eu sei, eu sei! ainda paro com isso*, ou seria vício?!), no intervalo das obrigações diárias, encontro essa alma inquieta vindo em minha direção. O primeiro assunto foi sobre o fumo, “Uma moça tão bonita fumando...”, exclamou. E foi logo despejando: “preciso desabafar”.

Como uma boa ouvinte e todo jornalista que se preza (e não há como fugir disso), fui tratando de aguçar os sentidos. Vou relatar o resumo da ópera... A “Fafinha” em questão, tinha ficado viúva há alguns anos, e há 14 convive com um senhor também viúvo. Na tranquilidade da terceira idade e do balanço na rede da casa no campo, sem esperar grandes surpresas da vida, eis que surge a “prima malvada”.

A nova personagem da história entra em cena querendo roubar-lhe o “amante”. Fafinha com profundo sentimento, medo da solidão e de tudo que ela traz, confessa que o parceiro está dividido - e não satisfeito pediu-lhe que caso opte pela segunda opção, que esta não se envolva com outro alguém, nem guarde ressentimentos, pois precisa dos seus cuidados (já que este – o companheiro, sofre com problemas de saúde). P.S.: Impressionante como os homens em qualquer idade são altamente egoístas!

Ao concluir o desabafo a simpática senhora mostra-me uma sacola de remédios e manchas roxas nas pernas causadas por problemas cardíacos decorrentes da atual situação. Na verdade acho que ela só precisava naquele momento de alguém paciente para ouvi-la, mas ainda assim pediu-me conselhos.

O outro ângulo da história... No auge dos meus 26 e meio, chegando à crise dos trinta, sem estabilidade profissional, com histórias amorosas não tão bem sucedidas, sem filhos, carro, apartamento, livro escrito ou árvore plantada, mas cheia de teorias na cabeça e sentimentos borbulhantes, me vi sentada naquela praça dando conselhos sentimentais a uma estranha que me parou para falar sobre os dessabores do amor.

Não passei muito do trivial e dos conselhos estilo auto-ajuda (não se desespere, tudo que tiver de ser, será! O primeiro e o único amor é o amor próprio! Não se prejudique, muito menos a sua saúde por quem não te merece! Tudo passa!), enfim... Nesse momento, confesso, fui superficial, contrapondo ao que afirmo no topo do texto. Mas, não havia muito o que dizer, apenas observar, sentir, perceber...

Perceber que o amor é um tema infindável, e que ele não escolhe a quem vai presentear com suas doçuras ou vai sufocar com suas amarguras. Passa-se o tempo, mudam-se os cenários, aumenta-se a idade, mas o amor está sempre vivo, presente, atuante. As formas de amar e os tipos de relacionamento até mudam, para pior na minha concepção, pois no auge da geração “pegação”, do ninguém é de ninguém e dos relacionamentos “abertos” o amor parece que ficou meio fora de moda. Enfim... essa parte fica para um outro momento!

A história de hoje termina então com um abraço, das já então velhas conhecidas, e com desejos de boa sorte, e coisas do gênero. Ah, ela perguntou sobre o estado do meu coração, eu disse que estava recém partido, mas já curado, sonhando com um novo amor, pois ele não consegue ser solitário. E ela me desejou um bom marido, como uma mãe deseja a um filha. P.s.: Que os anjos digam amém!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Quando o amor acaba...


Passadas todas as sensações, emoções
sabores e dissabores do amor
um dia fatalmente ele acaba
ao menos os pouco verdadeiros tem um fim

E não tente achar explicações
culpados
nem tente entender
ele simplesmente acaba e pronto

Não gaste seu tempo
não perca seus neurônios
não passe noites em claro
não sofra

Porque de uma maneira ou de outra
que você nem se dá conta
também acabou pra você
e o amor simplesmente deixa de existir

Muda de cor
muda de fase
muda de cara
muda de humor

Quando você percebe já passou
foi embora sem se despedir
achou uma brecha
e escapou

Tudo deixa de ser real
é... simples assim
não tem mais frio na barriga
nem taquicardias

As afinidades começam a sumir
os olhares se desviam
as mãos se soltam
os corações se separam

Mas, quando a ferida fecha
pronto!
Você está curado
e tudo volta a ficar em paz

Tudo é um ciclo
que começa a se fechar por dentro
e de repente você sente
que tudo deixou de ser como antigamente

Durante um certo tempo
pode até parecer estranho
essa ausência de sentimento
mas, até isso é por pouco tempo

E para acabar guarde sempre o que foi bom
guarde o melhor dos seus amores
e se alguém te perguntar
diga sempre que VALEU!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Na falta de sobriedade...


Não sou Capitu
mas, estou com olhos de ressaca
e na pouca sobriedade que me resta
vou relatando os fatos

Fui criando mundos particulares
com códigos e passagens secretas
passaportes para devaneios insanos
e bilhetes de ida e volta

Funciona assim
um corpo
minha mente
em lugares diferentes

Sentimentos confusos
pensamentos errantes
algumas memórias
pouca lógica

Tudo pára
você continua girando
o lugar é comum
mas, você nem está ali

Passeando por rodas gigantes e cavalinhos
a viagem é sempre solitária
o corpo não acompanha
é só o translado de idéias

Ninguém percebeu
mas, já fui e já voltei
e antes que a sobriedade volte
vou tratando de me despedir...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Dança do acasalamento


Tudo começa assim:
Pele bronzeada
mulher brasileira a coisa mais linda!
Chamada de avião
corpo de violão
a maior obra prima!


E aí vem:
chegando, chegando, chegando...

e vai quebrando tudo:
arrebenta com as cadeiras
ordinária swingueira

porque:
a festa não tem limites!
E quebre! Quebre! Quebre!


E começa:
Ih vai, te levar pra trás
ohh vem, pra frente e decola


E vai aumentando o ritmo...
Ela canta:
Tchuco! Tchuco! Tchuco gostoso!
É tão bom! É gostoso!
É tão bom fazer o tchuco gostoso!


Ele canta:
Pressão! Vou botar pressão mamãe!
Rala a checa no chão! Rala a checa no chão!

E agora ainda tem:
Rala a checa no asfalto! Rala a checa no asfalto!

E se vacilar leva:
Toma gostosa, lapada na rachada!
E ela responde:
Só se for na rachadinha!
Vaiiiiii, dá tapinha na bundinha! Vaiiiii!
Que eu sou sua cachorrinha!


Cuidado com a velocidade 10:
Creu! Creu! Creu! Creu!Creu! Creu!Creu! Creu!
Creu! Creu!Creu! Creu!Creu! Creu!Creu! Creu!
Creu! Creu!Creu! Creu!Creu! Creu!Creu! Creu!


E no final ela ainda leva:
Você até que é bonitinha
mas, é abestalhada
pegou papai aqui
agora está apaixonada...


E quase chorando ela termina:
Pensei que era cordeiro
mas você foi lobo mau
me deu um “zig now”, “zig now”, “zig now”
“zig now”, “zig now”, “zig now”, “zig now”


Depois que
provocou
experimentou
chupou o era de uva
sentou no que era de menta
lambeu o que era de manga...

Ainda tem coragem de falar:
A lua me traiu...

E aí termina:
Ela tem cara de jaca
nariz de xulapo
estria nas pernas
bunda de peteca
perna de alicate
cabelo de assolã
Vaza canhão! Vaza canhão! Vaza canhão!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Na ausência do dia


A noite chega
faceira e dissimulada
com seus mistérios e segredos

Gosto do silêncio
das inquietações
e das sensações

Aprecio as cheias
o olho do mundo a nos observar
em um monólogo particular

Vários submundos
centenas de idéias soltas
universos infindáveis

Reflexão
Medo
Nostalgia

Tranquilidade
Amor
Alegria

Corre
ela está indo embora
já é quase dia...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Quem desinventou o amor?


Sentimentos fugazes
relações instáveis
noites baratas

Pensamentos errantes
corpos desalinhados
calor ofegante

Um vinho
pouca conversa
muito suor

Um compasso
cheiros, peles, desejos
tremores

Acabou
espero que tenha sido bom pra você
até mais ver

Já é quase dia
a cama agora fria
e o coração vazio

E assim segue
dia após dia
a decadência do amor

O prazer fácil
o compasso
e o descompasso

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O vazio de você


Tinha tantas coisas pra te dizer
e pouca coragem pra falar...
Tantas palavras não ditas
tantos abraços não dados,
mas, muito amor aqui guardado...

Você me escolheu quando nasci
e eu te escolhi quando cresci
com certeza um encontro de almas...

Você deixou um vazio aqui dentro
que não vai ser preenchido nunca
só quando a gente se encontrar novamente...

Desculpa por ter fugido tanto
e por ainda não conseguir rezar por você,
mas é que ainda dói demais...

Prometi não mais chorar,
mas é exigir demais
por isso calo!

Sinto saudades de tudo
em todos os momentos,
mas o que fazer se tudo me faz lembrar você
e ninguém pode me impedir disso...

Você me ensinou a caminhar, a crescer, a viver, a sofrer, a amar, a ser alguém
acho até que me desviei em alguns momentos,
mas me perdoa por isso...

Você se foi
mas continua aqui dentro
pulsando no meu coração e na minha vida
e ainda consigo te sentir bem perto de mim....

Não esqueci das promessas
é que preciso de um pouco mais de tempo
para reordenar as coisas por aqui,
mas sei que vou conseguir e te deixar feliz...

Só quero que sinta o meu amor daí
que eu fico aqui a tentar acertar
para você poder se orgulhar...

Te amo com tudo que posso
com tudo que tenho
e isso nunca vai mudar
e a saudade...
ah, essa nunca vai passar...
só me resta a certeza de que um dia
a gente vai se reencontrar...

Paredes que não satisfazem


Cansei da rotina de mim mesma
do mistério encantado nunca desvendado
do tom coloquial e cotidiano dos meus pensamentos

Essas paredes não me satisfazem mais
esse lugar não mais me cabe...

Não faz sentido procurar palavras
para jogá-las no fluxo cósmico
onde tudo é fugaz e barato
como as horas em que perco pensando
na fragilidade do caráter

Não estou aqui agora
a minha alma chora
vagando na escuridão

Não é pra fazer sentido isso que eu digo
pois a insanidade às vezes é sábia...

Perdida nesse interior
acho veias e vasos
menos o sangue quente que corre...

Acho que ele desaguou no mar
e ganhou a imensidão da solidão
como o meu pensamento
que conseguiu a liberdade da alma
e foi para muito longe...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Apresentando


Esse blog virou realidade depois de um conselho de um grande amigo:
quando você estiver com vontade de fumar, escreva!
Na verdade sempre produzi em momentos de profunda introspecção
mas, os rabiscos ficavam arquivados em pastas solitárias.
Percebi então que estava fumando demais e perdendo idéias na fumaça
Não parei ainda de fumar
e essa é uma outra história
mas, estou trocando alguns cigarros por algumas laudas!

Sou jornalista de profissão
e escrevo por paixão
ou ódio, tédio, nostalgia, saudade, solidão, amor...

Mas, não espere encontrar nesse blog grandes artigos, crônicas, colunas sobre política, economia mundial ou ciência
porventura podem até surgir, mas esse não é o grande objetivo.
Quero aqui um espaço aberto para alguns escritos, alguns devaneios.
Um espaço livre de regras, de preconceitos, e formalizações!
Apenas resolvi tirar das gavetas e da confusão dos pensamentos algumas linhas aleatórias...

Sejam bem vindos! Vamos viajar juntos?!

Efeito borboleta


O canto dos pássaros
o vendo no rosto
às vezes fazem sentido...

O mundo não está mais cinza
o sol agora brilha em meu jardim
e dá para ver as borboletas....

Brincar com as crianças
rir com os adultos
chorar com o travesseiro...

Embora existam dias nublados
quando a tempestade vem não é mais a mesma
os raios e trovões já não assustam tanto...

Gosto da minha companhia
da imagem no espelho
e das borboletas...

Saudades...


Às vezes tenho saudades da minha infância,
de ser aquela criança.
Acho que acabei fazendo o caminho inverso
de alguns contos de fada
pois, de princesa passei a gata borralheira.
Sinto falta da vida de antes
que mesmo torta estava no lugar,
no lugar pra onde eu sempre sabia que podia voltar.
Hoje não existe mais volta
o que se foi não vai voltar mais
nem a minha leveza...
Acho que a minha missão está ficando um pouco mais clara
começo a enxergar melhor
sem a cegueira dos medos.
Às vezes acho pesado demais
minhas pernas ficam fracas
a respiração ofegante
e a cabeça gira o mundo em instantes
mas, todos dizem para agüentar
porque devo saber suportar.
Tudo parece ter mudado
nada está mais no lugar que deixei
nem eu mesma.
Às vezes não sei quem sou nem para onde estou indo,
ou talvez tudo não passe de uma grande viagem interior.
Mas bem que eu queria minha vida de criança,
meu palácio, minha rainha e meu rei,
quem sabe agora até um príncipe...
Mas não, o tempo não volta mais,
nem eu sou mais a mesma.
Talvez eu esteja em pedaços
vou tentar juntar os cacos
vou ver se as flores ainda estão no vaso
e se meu coração não está em frangalhos...

O tempo da saudade


Tem dores que o tempo só sossega
Mas, nunca as leva
O tempo, relativo como ele só
Passa tão devagar pra quem sente saudade
Muito mais para um coração que sofre

Despedidas nunca são simples, fáceis
E o tempo muitas vezes não deixa nem a gente desabafar
Dizer tudo aquilo que gostaríamos
Que há tempos estava preso na garganta

Isso nunca vai passar
Nem com o tempo
A ausência tua não se supera
Apenas se acalma por momentos

Não poder ouvir
Aqueles sábios conselhos
Talvez no meu egoísmo seja o que mais faça falta
Porque o teu amor e a tua presença sempre vou sentir

Mais egoísmo ainda é pedir que cuide de nós
Que interceda junto ao Pai
Mas, é que essa minha fraqueza
Faz-me desejar teu colo

Por vezes até consigo orar e peço teu perdão
Pelas coisas erradas que fiz
E pelas certas que ainda não realizei
Na minha fraqueza te peço paciência

Por vezes desejo que o tempo corra
Para que não veja mais nada, nem sofra
Só que o tempo continua parado
E eu aqui sentada...

Sofro pelo que ainda nem aconteceu
Mas, é que talvez eu consiga realmente ver em sonhos
Aquilo que amanhã vai acontecer
E isso não me traz nada de volta

Mas agradeço a Ele esse tal tempo
Que mesmo sem querer passa
Irrita, faz sofrer, acalma
Vai levando minha alma para o Supremo


Estou indo te encontrar
Não sei ainda que dia, nem que horas
Mas, nosso reencontro está marcado
E quando te ver quero dar um abraço bem apertado

Vamos conversar sobre o tempo
E tudo que ele traz
Vou dizer que te amo
E como você fez falta todo esse tempo...

Fragmentos



Sou dia e noite
Sol e lua
Dúvida e certeza
Criança e mulher
Sou parte do mundo
Parte loucura
Experiência Divina
Parte você...

Tenho Deus como guia
Um anjo chamado “Deó”
Um protetor chamado “José”
Uma força chamada “amigo-irmão”
Já tive grandes amores
Que estão guardados no coração e na alma...

Acredito no bem e no amor
Aprendo com os erros
Tento melhorar meus defeitos
Sempre revejo meus conceitos
Tento aniquilar os preconceitos que ainda restam
Todos os dias tento ser uma pessoa sempre melhor
Pois o mundo por si só já é muito cruel...

Amo a liberdade que conquistei
Luto pelos meus sonhos
Vou atrás da felicidade
Acredito que dias melhores sempre virão
Aprendi que decepção na mata
Ensina a viver
Pois na estrada da vida
Sempre existem os porquês!

Aprendi também que mais forte que relacionamentos são sentimentos...

Choro
E cada lágrima lava minha alma
E me renova para mais uma batalha
Pois aprendi a ser guerreira
E nunca desistir de nada

Agora sou feliz
Pela vida que tenho
Por tudo que conquistei
Pelo amadurecimento que busquei
Por todas as pessoas que foram colocadas em minha vida
Pessoas que mesmo más
Me ensinaram muitas verdades pra caminhar
Nessa estrada cheia de pedras

Só tenho a agradecer a Deus
Por tudo que sou
E tudo que tenho
A única coisa que peço é perdão
Pelas falhas que cometi
E pelas mágoas que mesmo sem querer causei

Sou uma eterna apaixonada
Dentro dessa rocha existe uma flor
Que também tem seus espinhos
Mas com perfume doce, suave e delicado

Agora, vou atrás de outros sonhos
Vou buscar outros horizontes
Pois o dia me espera
A noite me aguarda
E o amor me busca em algum lugar...