terça-feira, 24 de novembro de 2009

Reencontro


As minhas mãos frias

Coração disparado

E um olhar meio de lado... disfarçado....

Querem dizer algo?



Nem tudo precisa de explicação

Ou que faça sentido

As melhores coisas acontecem de repente

Sem anunciar nada



E na calmaria dos dias

Surge algo que esquenta o coração

Alegra a alma



Sempre estivemos guardados

Nas melhores saudades e desejos de realidade

E às vezes sem querer me pegava pensando em você

E uma música me lembrava o passado



Agora nós dois

As águas calmas de um rio

Que testemunhara o início de tudo

E o mesmo amor

Que talvez retorne na hora exata



Acho que passei a vida inteira esperando por você

Só não sabia....

Não custa sonhar!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Círculos


Eu ando com um aperto no peito, uma cara amarrada, uma ansiedade sem propósito que não passa. Vejo tudo meio cinza, meio sem graça. Vivo de passado, não consigo desatar alguns nós, muito menos fechar ciclos. Ando de lá para cá, de cá para lá, e não avanço nada. Sempre falta alguma coisa, sempre quero mais, e tudo demora tanto para acontecer. Queria que fosse fácil, abrir a janela, olhar para o sol e acreditar em uma nova manhã, mas continuo gostando das noites, e a solidão ainda é a mais fiel das companheiras. Sinto saudades, de tudo, de todos, de momentos, de sonhos. Sinto a falta dos que já se foram, muito mais do que cabe em mim, mas até com isso já me acostumei um pouco. E me acostumo com tudo, me acomodo demais, muito além do que poderia. Vivo inerte, e a vida vai passando pela minha frente. Falta coragem, falta energia, falta tomar as rédeas da minha vida. E me pergunto: até quando? O que precisará ainda acontecer para que eu corra atrás dos dias? Perguntas sem respostas que se acumulam na minha agonia. Tanta nostalgia, tanto tédio, poucas perspectivas, quase nenhuma iniciativa. Tudo perde a graça tão rápido e não consigo concluir nada, nem os meus confusos sentimentos. Isso não tem mais graça. Já passei da idade de ser complicada e perfeitinha, não tem mais charme. Não aguento mais viver por amor, isso já trouxe muita dor. Já perdi um pouco as esperanças, de encontrar minha alma metade. E talvez por isso tudo tenha perdido um pouco o sentido...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sinto sua falta


Sinto sua falta

E daí então

aparece nos meus sonhos

Lindo e orgulhoso

Como só você



Queria não pensar

Não sentir

Não provocar

Mas, é tão involuntário

Perceptível apenas aos meus sentidos



A saudade me acompanha para onde eu vá

Sinto um aperto no peito

E uma vontade de te ver

De sentir teu cheiro

Provar teu sorriso



De certo eu queria você

Não era nada pra ser assim

De você sem mim



Não entendo muita coisa

Não tenho certeza de quase nada

Apenas de que eu sonho com você

Sinto sua falta

E no final, era contigo que eu queria estar

É seu corpo que quero abraçar



Nem sei por que é assim

Eu nem queria pensar em você

Já que definiu que seu lugar não é aqui

Junto a mim

Mesmo desse jeito

Eu ainda gosto tanto da sua cara amarrada



Você nem olha mais para cá

Nem passa mais na minha vida

E eu sinto tanto a sua falta

Me deixe em paz

Pare de ser real nos meus sonhos

Saia da minha saudade

Desocupe meu coração

Já que não vai mais acalmar minha alma...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Concentração?


Minha concentração não anda muito boa esses dias. Se estou sofrendo ou cantando, feliz ou descrente ela parece não fazer as pazes com a minha mente. Isso é um martírio, pois quanto mais constato, mais ela foge. Procura lugares escondidos, confusos, duvidosos e inseguros. Nada é simplificado pra mim, tudo foge ao meu controle, e chego a sufocar de tanta angústia. Às vezes parece que vou explodir e a vontade que tenho é de sair correndo e gritando coisas sem sentido e sem razão, só pra ver se acalma meu coração. Já faz tempo que não quero mais ser assim, achando que tudo tem fim, menos a minha cadenciada linha de pensamentos tortos e vãos. Os anos de (auto) terapia ajudam-me a ver as falhas do meu alter ego, mas não sei se isso é bom ou ruim, pois apenas identifico e inerte continuo. Que agonia! Sentimentos me confundem, passados não me largam, forças me amarram, o amor ou a falta dele não me deixam andar para nenhum lugar fora de um círculo imaginário por mim criado. Há tanto que eu queira deixar! Há tanto que eu queira conquistar! A começar por uma mudança de perspectiva em torno da (minha) vida. Apesar de tudo que possa parecer, estou estranhamente feliz. Estou aprendendo a conviver com a minha própria solidão. Só não largue a minha mão.... Preciso voltar ao trabalho!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Feliz


Estou feliz
E pronto!
É só isso....
Não sei escrever sobre felicidade.

Bicho mais besta...


Mulher é o bicho mais besta que já vi na vida
Apaixona-se com um beijo
Iludi-se com palavras ao pé do ouvido
Dorme e acorda pensando no cara
Que promete ligar no dia seguinte
- que na maioria das vezes não liga
E espera... espera...
O coração dispara cada vez que o celular começa a vibrar
Ou tocar uma daquelas musiquinhas melodramáticas de amor
Ou simplesmente um: chegou mensagem pra você!
- que geralmente é mensagem da amiga desejando bom dia ou boa noite!
(Mas, pense pelo lado positivo: você tem amigos)
E ela continua pensando no cara....
Sentindo quase um amor platônico...
Platônico não porque teve beijo, alguns amassos e um frio na espinha
(esse é o grande perigo: se tiver calafrios já era... é caixão e vela preta! Rsss)
E ainda uma conversa do tipo:
Adorei ficar com você (sem hipocrisia)
A frase que nos deixa loucas – ao ponto de ter um enfarte:
- eu entro em contato!
Ai como isso dói...
E haja expectativa e caixas de chocolate pra passar a ansiedade
E as horas passam, os dias passam...
E a mulher está lá escolhendo músicas para esse momento (que ela considera único e especial) - aí entram singles como: sei que não foi coincidência encontrar-me contigo! Talvez tudo isso seja o destino....
Pensando no próximo encontro, no início do namoro, na primeira vez que dirão eu te amo, no casamento, e até com quem os filhos se parecerão...
Nessa altura do campeonato o cara ainda nem ligou...
No máximo mandou uma mensagem ou scrap (já que isso está na moda)
Provavelmente nem tenha pensado em você
E a mulher se descabelando, tentando entender os “sinais” e achando desculpas (talvez ele seja tímido)...
Rezando para que se ela não faça parte da regra (onde o cara liga no dia seguinte)
Seja ao menos a exceção...
(Chora! Me liga! Implora meu beijo de novo!)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Meu lugar



O que eu preciso é de um pouco de silêncio
de viver minha própria solidão
de me acompanhar

Na verdade eu necessitava
respirar pelos meus próprios pulmões

Eu precisava aprender a dizer não
a ser racional
de vez em quando casual
e muito mais segura

De repente tudo acontece
provando que nada é ao acaso
e que os meus fracassos existiam muito mais em mim
do que de fato

Os erros não foram tão meus
quanto me culpara
eu fui muito mais sensata
do que de costume

Hoje me perdoou
por tudo que me magoava
e por tudo que mesmo sem querer
provocara

Tudo faz parte
até meu mundo cinza
tem sua graça

O que importa agora
é a liberdade
de todos os estigmas
por mim cravados

A felicidade está nas flores
na esperança
no sorriso da criança
que nunca deixei escapar

Hoje quero sossego
porque tudo ficou simples
quero aproveitar esse momento de embriaguez
de tanta lucidez

Só quero ficar aqui na minha própria companhia
com essa leveza na alma
esse suspiro deselegante
e com esse coração quase compassado

Me deixe aqui
me deixe onde estou
não poderia ter escolhido melhor lugar...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Borboleta


A borboleta que pousou em mim
Não era do meu jardim
Veio enganada
Tonta, atordoada
Sem saber por onde voava

Outrora
Em meu braço pousara
Só para descansar
Da busca pelo seu jasmim

Pobre de mim
Que acreditei que ela voltara
Para algum lugar dentro de mim
Vá embora
Não há flores guardadas

Bateu asas
Ainda a vejo atrás de mim
Mas,
Não acredito em nada
Se não haviam rosas plantadas

Vai borboleta
Antes que eu me veja triste assim
Você até que brilhou
Com suas cores camufladas
Vou cuidar do meu jardim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Lotado


Queria que existissem palavras suficientes
Para acalmar minh'alma
Para sufocar qualquer resquício de pensamento
Mau acompanhado
Porque aqui já não cabe mais nada

Todos os espaços estão ocupados
Por sentimentos inequívocos
Redundantes, contundentes
Tantos quanto flores, espinhos e arranhões

De nada me serve decifrar
Se não posso mudar
Essa atração por luas, fracassos
Tempestades, frangalhos
Cacos, retalhos

Releio, escrevo e vejo
Que tenho estado repetitiva
Mimada, egoísta e usurpada
De qualquer outra tentativa assoberbada
De ver-me diferente
É só compilar a repetição dos versos
Que tentam ser desconexos
Sem nenhum sucesso
E ainda por cima
Mau rimados

Não faço sentido
Já decidi mudar tantas vezes
Que meu espelho não suporta mais
Uma imagem mal passada
Volúvel, abatida e absorvida
Por tudo que consome o ego
De uma mulher de quase trinta

Nada disso tem mais graça
Cansei dessa faceta
Que não transgride nada
Só beira ao abismo
De uma confissão de adolescente
Tão frequente quanto uma acne facial

Quero ter ao menos outros problemas para pensar
Algo menos sentimental para me ocupar
De forma que minha vida pare de andar em círculos
Viciosos e onerosos
Quero viajar, pouca conta para pagar
Amigos para conversar
E palavras para desabafar

Faça parar


Não consigo me concentrar
Pensamentos tolos insistem
Em me acompanhar
Não agüento mais
Faça parar

Vou morrer no próximo segundo
Se essa angústia não se acalmar
Passa, passa, passarinho
Porque as borboletas não vão mais voltar

Minha imensidão é mar
Revolto
Quebrando nos corais
E corações

Queria ficar quietinha
Escutando notas musicais
Mas, o soluço abafado
Lembra mais o rito de um cais
Abandonado

O riso não durou mais
Que alguns momentos
Inconstantes
De uma jura eterna
De romance

Volto a naufragar
Em oceanos profundos
Mas dantes visitados
Sem nenhum resultado

Quero ser calmaria
E me lembrar dos dias
Que não precisei voltar
À deriva

Não é o fim
Já se foram vários segundos
Mas, ainda sinto
O cheiro da maresia
Faça parar

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fracassos


Tenho colecionado fracassos
de uma desastrosa vida amorosa
que não sabe onde começa
muito menos acaba

Seria trágico
se não cômico
todo esse meu sonho
de tornar real um dia
essa tal alegria

Vejo tudo passar
como uma leve brisa
que logo se dissipa
ou furacão
que tira tudo do lugar
e eu sozinha a tentar consertar

Parei de tentar decifrar
porque as noites são mais longas
e não gosto muito dos dias

Guardo uma sucessão de erros
próprios e alheios
mas, que não são causas
de tantas consequências insensatas

É fácil cobrar
se não sabe se doar
testes apenas para mercadorias

Tentei tanto
que o meu pranto
se faz santo
de tanto respeitar

Tudo foi verdadeiro
até os pesadelos
de não mais encontrar
quem quis tanto amar

Só queria um julgamento justo
por todo esse meu mundo
que tentei compartilhar

O amor parece não me notar
não reconhece a minha face
levou para longe minha metade
sem pestanejar

Estou perdida
entregue a solidão
não sei se sossego
se sonho
ou tonto

sábado, 19 de setembro de 2009


Me sinto tão só quanto nunca
as lágrimas misturam-se com
a maquiagem borrada da última noite
e caem negras

Sinto um vazio tão imenso
que chega a sufocar
com expectativas de nada

Surge um velho mundo cinza
pra onde não quero mais voltar

Uma dor que dói por dentro
sem saber porque sofres
apenas lamenta

Olho ao redor e não vejo
nada pra mim
nem os sorrisos, nem olhares
tampouco declarações

Sinto uma falta de ar
ausência de sonhos
e a quase morte de uma esperança

Cogito a possibilidade
de o problema estar comigo
porque sempre vejo
o fim antes do meio

Queria ouvir ecos
do que estar errado
mas, só ouço minha própria voz
e ninguém responde

Tenho sede, tenho fome
ânsia de viver qualquer coisa
que tire-me desse estado
de nostalgia involuntária

Não cobro demais
as pessoas sim
se doam de menos
talvez pelo mesmo medo que tenho

Não quero mais conselhos
nem expressões piedosas
muito menos momentos isolados
do que deveras sobrou pra mim

Que o mundo perca a cor não posso permitir
já jurei isso em algum pôr-do-sol
sem testemunhas
e com algumas amarguras

Tenho medo desse estado
de angústia permanente
que parece nunca me largar

Achei o meu ópio
ele exala um cheiro que acalma
e alguma fumaça

Só isso
uma música e algumas palavras
para aplacar essa raiva
que sinto até de mim

Sinto-me tão só
com um monte de lembranças
que não valem-me de nada

Ocupo-me de um vazio
um desamor
e essa dor....

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mágoa


Ando meio desconfiada
de que esse mau humor insistente
e essa irritação desenfreada
são culpa de algumas mágoas

Suspeito que esse desgosto e amargor
sejam maus frutos de uma convivência distante
de quem unicamente deveria estar perto
mas, preferiu quebrar o elo

Nunca tenho quando mais preciso
não sou bem isso que reflito
e talvez nem sirva
como esse modelo quase imperfeito

Senti falta em cada data que deveria estar contigo
e que tive que ir atrás de um abrigo
para poder não congelar
e ver o outro dia chegar

A casa ficou vazia
o silencio passou a fazer companhia
mas, meus medos, frustrações e decepções
ainda não apareciam

Rezava, chorava, indagava
muito mais por ti
que eu achava que não entendia
e por isso perdoava

Só que nunca ganhei nada
e junto com os anos
foram-se boas partes de mim
que pensava não fazer falta

Agora cobram o preço
de tanta desesperança
e falta de propósito
dessa divisão forçada

Vejo que não mudou nada
sua companhia não me acalma
e por mais que eu tente
nunca será como antigamente

Achas que não preciso de ti
que sou forte o bastante
para continuar sendo perseverante
sem nenhuma palavra

Acontece que vejo
meia dúzia de conselhos
e alguns cabelos brancos
que não são por mim

Chegou achando que podias mudar tudo
sem se importar nenhum segundo
com o que eu já tinha recolocado no lugar
para você nem notar

Pelo visto nunca serei boa o bastante
ou digna de um elogio
é que na verdade nunca vais notar
o quanto lutei para aqui ficar

Estamos
cada um no seu canto
guardando sofrimentos
e acumulando mágoas

Já tentei falar
chorei até cansar
rezei até adormecer
e fui fria para não transparecer

Mas, parece que nunca vamos superar
a falha do destino
que levou nosso passarinho
que cuidava de todo o ninho

Se é assim que tem que ser
vou tentar não mais notar
que finges não se importar
com uma filha mal criada

Os ressentimentos
vou tentar sufocar
com o amor
que me restou para viver...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Amor ou desejo?


Eu penso em ti
o dia inteiro!
Isso é amor ou desejo?

Do amanheço ao anoiteço
és a única saudade que sinto!
Isso é amor ou desejo?

Não esqueço os teus beijos
e ainda sinto o calor do teu abraço!
Isso é amor ou desejo?

Ando rindo sozinha
e sonhando acordada...
Isso é amor ou desejo?

Meu coração bate forte
e o sangue corre quente!
Isso é amor ou desejo?

Seu cheiro é o que sinto
e entre todos os sentidos és o único que não domino...
Isso é amor ou desejo?

Sinto um frio seguido de calor
e uma calma quando ao teu lado estou...
Isso é amor ou desejo?

És meu terno motivo de felicidade
em dias amargos e cinzas...
Isso é amor ou desejo?

És a vibração que faz meu corpo estremecer
e a presença que quero ter!
Isso é amor ou desejo?

Tu me despertas todos os meus pecados
tentações, emoções e sentimentos!
Isso é amor ou desejo?

É no teu olhar que me vejo
e no teu coração que quero me guardar
Isso é amor ou desejo?

É contigo que quero sentir arrepios
e a tua mão que quero em meus cabelos
Isso é amor ou desejo?
*******************


Isso é um desejo de amor
e esse amor é o que desejo!
Pois o que seria do amor sem o desejo
e do desejo sem o amor?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cansada


Cansada
de ver tudo ao contrário
de viver de par em par
e não poder desabar

Cansada
da cara amassada
do mau humor constante
e de tudo durar um instante

Cansada
de ver a lua solitária
perceber o rio passar
e nada encostar

Cansada
de indagações insensatas
cobranças indevidas
e reconhecimento não visto

Cansada
de angústias constantes
ansiedade insistente
e dúvidas permanentes

Cansada
de ver defeitos repetidos
incompreensões reticentes
e dívidas não pertencentes

Cansada
de palavras repetidas
sentimentos redundantes
e soluções desastrantes

Cansada
de nunca mudar nada
da vida não facilitar
e dessa vontade de amar

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mais uma dose


Sofrimento
pra mim é passageiro
porém, a tristeza dura um pouco mais

Acho bonito as pessoas
que sofrerem por amor
desde que não haja tanta dor

Meu pesar é diferente
bem longe do de muita gente
não é muito consciente

Mas, estou mudando
não tenho mais a mesma energia de antes
que escondia tudo que eu sofria

Tenho pensamento loucos
dizem que sou insana
até leviana

Porque finjo não querer
quero por querer
e decido não saber

Dizem por aí
que não sou muito “normal”
e talvez não seja mesmo

E se quiser saber
gosto de ser vital
abstrata e neural

Sou intensa
à flor da pele
à beira do abismo

Minha força vem
do meu mais profundo inconsciente
nem um pouco eloquente

E assim vou vivendo
sabendo lidar melhor com meus problemas
tornando minhas crises existenciais menos constantes
porém não menos provocantes

Sou mais mulher
mais segura
e até mais serena
ainda um pouco inconsequente
irritada, ansiosa e impulsiva

Só preciso de mais uma dose
de coragem, sonhos e amor...

Sou feliz com a minha loucura
enquanto muitos são tristes
com tanta lucidez

Sou com sou
e é assim que gosto de ser!
Tenho uma dose de loucura
e outra de doçura...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

Dor


Sou toda dor
tristeza
e lágrimas

Meu amor me deixou
essa madrugada
mas, ele já vinha me deixando
há muito tempo

Em cada palavra por mim proferida
e mau entendida
a cada comportamento
julgado
e mau interpretado
em cada cigarro tragado

Pra você fui apenas
um monte de sentimentos
falsos e forçados

Mas, foi você
que fez de mim
gato e sapato

Esqueceu de perceber
o que era pra ser visto
e sentido

Você estava ocupado demais
olhando pra si mesmo
e pra o seu próprio umbigo

Agora veja você
o que fez comigo

Me apaixonei
me dediquei
sonhei
e até me atropelei

Numa ânsia angustiante
de tentar fazer você notar
que já não sou como era antes

Não tenho muito a explicar
tentei fazer isso de todas as maneiras
mas, você pareceu não notar

Nada disso tem sentido
pois, no alto da sua frieza e sensatez
eu não me encaixo em você

Diante disso o que se há pra dizer
apenas ouvir:
- eu não me apaixonei por você!

Você conseguiu
entrego os pontos
pelo mínimo de amor próprio que me resta

Vi o dia amanhecer
e todas as minhas esperanças irem embora
com a lua que iluminava meu coração

Ainda não acordei
porque ainda não dormi
talvez com medo de entender
que esse não foi apenas um pesadelo

E agora o que faço pra ter minha paz de volta?
Ver a noite virar dia
e o dia virar noite
pra tentar encontrar
nos milésimos de instantes
entre o cair do sol
e o surgir da lua
meu coração de volta

Não quero mais ninguém
não quero mais o amor
pois pra mim ele
só trouxe dor

Vou tentar preencher-me
com qualquer coisa
de minha própria solidão

Quem sabe um dia
eu volte a te procurar
pra dizer que eu te esqueci
ou que esse amor nunca saiu de mim

Sou toda dor
tristeza
e lágrimas....

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

EU


Onde foi que me perdi...

Onde estão os meus sonhos

Minhas fantasias

Onde eu fui parar...



Só tenho cacos

frangalhos

pedaços...



Acho que sou uma farsa

Uma hipocrisia

Que prega ser complexa e controversa

Só porque não sabe como virar dia



Vejo veias, marcas e rugas

Sinto-me velha

Muito mais de espírito

Do que supõe minha

Derrocada aparência



Não tenho mais aquela alegria

Descompromissada

Que fazia tudo valer a pena

Sem pensar nas conseqüências



Agora o peso da idade

Das responsabilidades

Caem sobre mim

De uma forma onerosa

Para minha armadilha



Torno-me amarga

Fria

Irritada

Angustiada

Mau-amada...



Cada lágrima

Carrega o peso

Do impreciso sofrimento

Que carrego no peito

Meio sem jeito



Elas são contadas

Doídas

Esperadas

Acompanhadas

De todas as dores

Mal sentidas



Não sei mais quem sou

Pois não sei onde quero chegar

Nem que sonhos ter

Tenho medo que me pergunte

O que eu vou ser quando crescer



Eu não me basto

E essa tentativa desenfreada

De preencher-me do outro

Para ocupar-me de algo

Faz-me perceber

Que eu preciso de algo além de mim

Para saciar-me



Procuro e não acho

Não ocupo

Encho-me de decepções

Perdas

E frustrações

Que coleciono

Por querer preencher-me

Com algo além de mim



Firo-me o ego

A auto-estima

Pouco de orgulho ferido

Vislumbrando um castigo

Por algo que nunca tive culpa



Pois que culpa tenho

De precisar do amor para viver

E não falo do amado

E sim do amor



Ele que me traz qualquer coisa de viver

De ser feliz

De respirar

De acordar

De anoitecer



De tanto ser só

Tenho medo da solidão

Que me traz certa fobia

De qualquer companhia



Já me tiraram tanto

Roubaram-me tantos sonhos

Que agora não durmo

Com medo de pesadelos

Em que mostrem

O espelho

De um futuro

Sem presente

Muito passado



Eu finjo

Que está tudo bem

que eu só me basto

mas isso é uma farsa

de uma atriz mirim

que nunca encenou nada



Não sou ninguém

E sou toda marcada

Por cada esperança minha tirada

Cada perda não chorada

E cada amor derrotado



Não sei onde me perdi

Nem onde me achei

Nem tenho essa

Auto-suficiência imposta

Que muitos vêem em mim



Sou mais frágil que o seu pensamento

Mais forte que o meu pensar

Maior que tudo isso



Sou uma confusão

Não quero guardar mais nada

Em meu coração

Quero é outro combustível pra viver

Cansei de preencher vazio com amor

Isso só traz dor



Vou expulsar todos os fantasmas

Não quero mais lembranças

Das presenças

Muito menos das ausências



Quero recomeçar

Mesmo sem ponto de partida

Ou referência

Pois culpei muito aos outros

Agora é hora de pensar em mim

Em tudo que deixei pra lá

Inclusive nos erros que tentei camuflar



Eu quis sufocar toda a minha vida

Todo o meu vazio

Todas as minhas perdas

Com sorrisos tristes

E friezas inventadas

Agora cobram a conta

Dessa farsa inacabada



Vou continuar com minha dor

Minhas marcas

Perdas

Mas não quero que esqueça

Que estou lutando mais do que pareça

Para ocupar-me de mim mesma

e não hei de deixar essa tristeza

ocupar-me mais do que algumas horas

com certeza



Eu calei

Pensei

Sufoquei

Chorei

Precisava dessas verdades

Para medir minha vida



Não se precipite

Nem eu tirei conclusões ainda

É que a xilocaína

Só faz efeito pra garganta

E não pra o coração...



Enquanto não acho a medida

Vou contando os passos

E os atos

Desse cenário imaginário

De uma vida real...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Você


Você me torce
retorce
Vem dizendo coisas sem sentido
e sem razão
parece um tufão
que vai tirando meus pés do chão
me virando ao avesso
tirando meu sossego

Você quer
quando finge não querer
Oscila entre pensamentos e desejos
me deixando entre os seus beijos
e a vontade
de uma louca liberdade
que te carrega para longe
quando devia estar entre os lençóis
roçando seus pés nos meus

E nesse vai e vem desgovernado
eu vou ficando sem lado
de um jogo de dados
em que nunca tiro seis

Você me seduz
irrita
facilita
e retarda
esse doce encontro
de duas almas

Já disse que não gosto de esperar
mas, você parece não notar
ou precisa não perceber
o que existe entre eu e você
Para de se enganar!

Vem pra cá
Seu lugar é aqui
onde eu reservei pra ti
com cores cintilantes
rodas gigantes
e aromas ofegantes

Antes que eu queira
não mais querer
e decida que esse é só um bem querer
é melhor você tratar
de deixar esse amor acontecer