domingo, 28 de junho de 2009

Quero um amor que ainda nem existe


Não quero mais passatempos
não quero mais lançar-me no vazio
de bocas e corações levianos
não quero mais relações fugazes e baratas
de apenas um instante de algumas horas ou dias

Não quero ser marionete ou coadjuvante
nem prêmio ou troféu
nem falta de opção ou comodidade
nem cair mais na brevidade dos desejos momentâneos

Quero ser mulher
quero ser amada
quero um amor de verdade
com todos os defeitos e qualidades
que se possa permitir

E não é esse amor dos romances e canções
o que eu quero é alguém real
que me faça rir
que me faça chorar
que me faça faltar ar

Quero alguém que possa ser meu
sem o egoísmo e possessão que possa parecer
quero apenas alguém que me faça bem
que me faça amar

Quero alguém pra dividir os dias
compartilhar momentos
planejar vida
realizar sonhos

Quero alguém que ainda não tive
pra experimentar um amor que ainda nem existe
mas, que nasce de um desejo profundo e prolixo
de amar de corpo e alma...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aos meus amigos-irmãos


Sem vocês eu seria um pouco mais triste
um tanto mais solitária
mais amarga e sem graça

Sem vocês eu não teria rido de piadas mau contadas
não teria repassado fofocas desnaturas
nem teria saído feito louca de madrugada

Sem vocês eu nunca teria conseguido superar uma depressão
me recuperado de uma grande perda
ou parado de rir com um sossega leão

Sem vocês eu não teria me arriscado por outros caminhos
nem realizado muitos sonhos
e tão pouco superado grandes amores

Sem vocês eu não teria tomado banho de chuva
rolado pelo chão
nem andado de pé descalço

Sem vocês eu não teria corrido nenhum quarteirão
aprendido a cantar músicas sem noção ou de outra estação
nem inventado passos descompassados

Sem vocês eu não teria chorado de emoção
nem encontrado ouvidos para alugar com devaneios insanos
e eternas inquietações de vazio

Sem vocês eu não teria aprendido a pedir desculpas
nem a voltar atrás depois de uma grande burrada
ou a seguir depois de uma grande decepção

Sem vocês eu continuaria vendo o mundo cinza
nunca deixaria de ser menina
muito menos pararia de culpar o mundo pela minha insatisfação

Sem vocês eu filosofaria menos
sofreria mais
e ganharia pouco

Sem vocês eu viveria menos
eu riria menos
eu seria menos

Sem vocês eu nunca teria me tocado
de quanto a vida é bela e colorida
e de que eu tenho tantos irmãos
quanto vocês cabem no meu coração

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Partida


Durante muito tempo eu te guardei pra mim
porque a gente precisava um do outro
necessitávamos compartilhar parte das nossas vidas
existia uma dependência mútua
de interesses, olhares, bem-estar, cumplicidade e carinho

Por tudo que representamos um para o outro
por tudo que dividimos, somamos e multiplicamos
por um pedaço de vida que em algum momento foi compartilhado

Mas, não quero mais liberdades vigiadas
preciso romper com os laços
quero ser livre
quero andar pelas calçadas
quero gritar na noite palavras sem sentido
e cantar músicas que me lembrem outros corações

Chega de falsos sentimentos
e de “relações” fantasiosas
baseadas em uma amizade forjada
e sentimentos profundos

Estou partindo
agora de verdade
Chegou o momento
de você sair de mim
É hora do adeus

Que não seja para sempre
pois de alguma forma continuaremos nos melhores sentimentos
e nas maiores saudades

Mas, não! Não quero mais você tão perto
não precisamos mais disso
nossas vidas agora estão encaminhadas
e nossos corações quase preenchidos

Estamos libertos!
Vinhemos até onde era preciso
pegue sua estrada e siga seu caminho
eu também estou indo pra algum lugar de certo

E nesse momento não se fazem necessárias palavras bonitas
nem desejos de felicidades
pois sabemos o que levamos e o que deixamos
e com certeza guardaremos o melhor

Os olhos ainda enchem d'água nesse despedida
mas, é que há sempre dor na partida
e ditos não ditos

Os sentimentos não mudam quando as relações acabam
mas, sim quando o amor morre
ou quando muda de cor e de sabor

Na hora da partida te deixo um botão de rosa
uma canção
algumas lembranças
e essas palavras

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ocupado


Tenho ocupado o silêncio
com os ruídos do meu pensamento
as noites com minhas insônias
os sonhos com meus desejos

Tenho ocupado a solidão com minha presença
o passado com minhas aspirações de presente
o futuro com minhas insólitas perspectivas
as horas com um outro tempo

Tenho ocupado as estrelas com minha tristeza
o sol com minha ausência
o rio com minha falta excessiva de lágrimas
e o mundo com meu eterno vazio

Não quero ocupar mais nada
então vou tentar preencher-me de qualquer coisa
de mim mesma...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sou


Sou o que grito e o que calo
O que escrevo e o que apago
O que assumo e o que nego
O que amo e o que odeio

Sou o que o eu quero
e também o que quero não querer
Sou anjo e demônio
Controversa e desconexa
Prolixa e destoante

Posso ser seu sonho e você meu pior pesadelo
Gosto de doces e amargos
Sinto felicidades tristes
e tristezas felizes

Sou fogo e sou brasa
Gosto de lua cheia e de estrelas
Falo pelos olhos
minto pela boca
e tenho o costume de camuflar sentimentos

Posso te amar ou te odiar
e isso pode alternar
por frações de segundos
com motivos ou sem ruídos

Carrego mágoas que finjo não recordar
convivo com medos que tenho receio até de penar
tenho pavor da solidão
e faço dela minha mais fiel companheira

Sou calmaria e turbilhão
meu coração um furacão
Carrego um vazio que já faz parte da minha alma
e acho que nem me acostumaria mais sem ele

Sou melancolia e nostalgia
Tenho um instinto pessimista
mas, geralmente consigo o que quero

Sou feliz quando menos espero
gosto do acaso
e acho que tudo já vem meio que predeterminado

Não vivo de passado
mas, confesso que adoro rever pensamentos
momentos
e até falsos sentimentos

Sou isto e não sou nada
Talvez eu queira apenas te pregar uma peça
para que você entenda meu lado errado
e aí então me descubra de fato

Se eu fosse tudo que desejo
não caberia em um dia
nem em uma vida
muito menos em mim mesma

Apenas por prazer?


Porque mentes pra mim?
Porque brincas com a minha emoção?
Para o seu bel prazer
de ver-me iludida e enganada?
Por uma simples vaidade
de ver-me demasiada frustrada
e cheia de traumas?

Porque finges ser a mais pura verdade
aquilo que nem existiu em um ato?
Porque maqueias com cores cintilantes
esse olhar destoante e distante?

Porque joga com as palavras
e envolve-me nessas trapaças desavergonhadas?
Porque não paras de confundir-me
com esses sentimentos pobres e falhos?

Será que tua alma é tão egoísta
que não permite uma partida
de quem você não ama de fato?

Porque se isto que me ofereces for amor
declaro que se sensato for
não o oferecerias a nenhum caso
quanto mais ao acaso

Porque és pequeno e mesquinho
achas que pode torturar-me
com inverdades
de baixo quilate?

Não! Parei!
Não entrego-te mais nada!
Nem mais um minuto do meu tempo ou da minha agonia...
Já devia ter aprendido isso um dia
mas, gosto de desafiar
a lógica das relações artificiais...

Não quero ferir-te a auto-estima
você até que satisfez-me o ego no momento certo
mas, cansei de arriscar
o que ainda resta-me da verdade maquiada dos corações errantes...

Verdadeiramente digo-te:
Mentiras sinceras não me interessam mais...
quero sentir borboletas na barriga!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sempre quero mais


Sempre quero mais
ar para respirar
tempo para o tempo
lua para as noites

Sempre quero mais
presenças e ausências
achar-me para perder-me
“ópio” para o ócio

Sempre quero mais
flores e bilhetes
cheiros e gostos
suores e salivas

Sempre quero mais
sons
sussurros
gritos e
silêncios

Sempre quero mais
eufemismos e
cavalheirismos

Sempre quero mais
borboletas na barriga
calafrios
e mãos frias

Sempre quero mais
verdades inventadas
realidades surreais
e fugas desconexas

Sempre quero mais
batidas descompassadas
sentimentos desenfreados
e calmarias nos atos

Sempre quero mais
não querer envolver-te
no meu querer

Sempre quero mais
fazer-me companhia
para não precisar da lembrança dos dias
que quis mais não querer-te

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fora do lugar


Às vezes tenho a sensação de que tudo está fora do lugar
e parece estar mesmo
Não sou mais a mesma
guardo mágoas em mim
a solidão virou a mais fiel das companheiras
e já não confio mais em ninguém

Minha alma anda perdida em uma imensidão
cheia de incompreensões, insatisfações
tristezas e rancores

Não sinto mais o perfume da rosa
as estrelas não iluminam mais o céu
a lua anda escondida entre as nuvens
e o sol anda se pondo antes da hora

Só ouço o barulho insistente dos grilos
os ecos do meu pensamento
e os ruídos da noite se confundem
com o som das minhas angústias

As feridas voltaram a sangrar
está tudo ficando cinza
e eu tenho medo
dessa tristeza reincidente

Tem dias que a dor fecha minha garganta
mas, hoje as lágrimas finalmente conseguiram rolar pela face
estava quase sufocando
perdendo o ar e os sentidos

O vazio anda maior ainda
meu olhar mais distante
sinto o compasso da respiração
mas, não mais o coração
parece que me arrancaram tudo
inclusive a minha própria verdade

Os dias continuam passando
pois o tempo é implacável
e vou retomando meu lugar por trás da janela
apenas observando e pouco vivendo

O que me resta
vai calando
deixando de lado todo esse desabafo
pra fingir que essa não sou eu

Como sempre tenho que juntar os cacos
trocar as flores do vaso
cumprir a rotina dos dias
sem me importar com a frieza dos meus restos de sonhos
com a dor da saudade
com o enfraquecimento do meu coração
e endurecimento da minha alma

Acho que sou eu que estou fora do lugar
me acostumei a sufocar sentimentos
fui muito fundo nesse momento
preciso de um banho quente
de cafeína
e de algumas horas da lua
para tentar voltar pra algum outro lugar
mais parecido com a frieza dos meus enganos

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Já faz algum tempo...


Já faz algum tempo que você partiu
mas, não posso dizer que a gente não se despediu
Naquele olhar, naquele beijo, naquele silêncio
estavam expressas as mais belas palavras sobre o verdadeiro amor

Tive tempo
de ver a tua luz
e de entender a sublimidade que envolve o grande mistério
dos encontros e despedidas

Já faz algum tempo que não sinto mais teu cheiro
que não ouço tua voz, que não vejo teu sorriso
que não sinto seu abraço, que não tenho mais o aconchego do teu colo
que não recebo mais teus conselhos

Mas, sinto você por perto
presente na força que me faz lutar
na energia que me fazer viver
e na felicidade que aprendi a buscar

Já faz algum tempo que que eu sinto essa saudade
que fujo um pouco da realidade
que fiquei um tanto mais endurecida
e com poucas lágrimas

É que eu aprendi com a dor e com a solidão
que preciso caminhar com meus próprios pés
É que depois da tua ausência
tudo parece pequeno

Já faz algum tempo que o pensamento, os sonhos e as intuições
são meu único caminho até você
que as memórias, as lembranças e os ensinamentos
são meus únicos acalentos

E cada vitória dedico a ti
na certeza de que estás comigo em todos os momentos
sorrindo ou chorando
pois sei que caminhas ao meu lado

Já faz algum tempo que não sei direito contar o tempo
pois tenho seu rosto no fundo dos meus olhos
como se há um minuto atrás
tivéssemos trocado um “Eu te amo” em silêncio

Meu Anjo Guardião
Minha Estrela Guia
Talvez eu ainda não tenha aprendido a rezar, então só sei dizer:
Mãezinha eu quero te ver lá no céu...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Frieza


Essa mania de frieza
é só uma reles sutileza
da minha fraqueza

Essa mania de frieza
esconde grandes tristezas
e muitas lágrimas não derramadas

Essa mania de frieza
reinventa perdas
e recodifica dores

Essa mania de frieza
ignora a solidão
e manipula sentimentos

Essa mania de frieza
tem muita presteza
e várias faces

Essa mania de frieza
ameniza saudades
e sacia amores

quarta-feira, 4 de março de 2009

Agora começa


Acabou o carnaval! Passou a quarta de cinzas! Não tem mais choro nem reza! Agora a vida começa! Trabalho, chefe, cobranças, cartões de crédito, horários! Mas, tudo bem! Precisamos disso para manter uma ordem, se não vira orgia! Outros focos, outras metas, muitas novidades, grandes bençãos Divinas! Mas, volto logo aqui pra desalinhar o que não anda muito arrumado! Sem plagiar os modismos soltos por aí... Namastê!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Marcas


O sorriso, o olhar, o jeito de falar
a cara massada ao acordar
o bom dia meio sem graça
cheio de marra
o erro querendo acertar
o pedido de desculpas que faz calar

O jeito de arrumar o cabelo
as promessa impagáveis
as juras eternas
a lágrima não derramada
a palavra não dita

A trilha sonora
o suspiro, o cheiro, o gosto, o desgosto
o salto, o sobressalto, o enlaço, o desenlace
a lua que estava cheia, o sol que brilhava
o rio que banhava

As flores não dadas
os cartões guardados
os presentes e as ausências
o temperamento e o tempero

O ciúme, a posse, a liberdade
os lugares inexplorados
as fotografias, a falta de registros
as capturas oculares

Os sonhos, as ideologias
a tarde fria, a noite quente
o vinho sem jantar
o violão sem luar
o barco sem velar
a lua sem o mar

O abraço, o aconchego, o desprezo
o ar e a falta de ar
o ir e o ficar
a memória, as lembranças e a saudade

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Desejos


Queria poder ter tudo aquilo que desejo
mas, isso seria demasiadamente arriscado
já que desejo o que não posso ter
e o que não devo querer

Sou um turbilhão
e o que hoje quero
amanhã já não quero mais
então, como desejar ter
o que amanhã não vou amar

Desejaria só por um dia entender toda essa confusão
fazer uma visita ao meu coração
ser um turista nos meus sentimentos
ou um decodificador de sonhos

Essa loucura parece não ter fim
e a cada dia que passa
a ansiedade consome meu resto de sanidade
e a minha alma

Nem sei mais o que desejo
fico louca por seus beijos
mas, só por hoje
pois amanhã não te quero mais
ou quero não querer-te

Isso não é proposital
e de tão casual
acaba ficando banal

A culpa é do meu coração
que não decide então
o que desejar
nem pra onde olhar

E eu vou seguindo
desejando não ter desejos
querendo não alcançar teus beijos

O que eu desejo de verdade
é amar-te
alguém para amar-me
e desejar
calar-me o resto de solidão

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ainnnnnnnnnnnn


Tem dias em que tudo me irrita: a água fria, o tempo quente, a comida mal temperada, o cabelo sem brilho, as gorduras localizadas, os primeiros cabelos brancos, as celulites, e as iniciais marcas de expressão. As conversas e as vozes tornam-se insuportáveis. As desculpas não me interessam, os versos não me completam, a música não me agrada, os sentimentos não me comovem.

Percebo que preciso de óculos, menos ócio, e mais “ópio”. Evito pessoas, presenças e telefonemas.
Me entupo de chocolate e fico com desejo de sumir em meio ao nada.

Não consigo concluir etapas, fechar ciclos, daí vou me dividindo e perdendo-me onde acho. Sofro de mau-humor repentino, e em um minuto eu posso te odiar, nesse caso prefiro me afastar, pra não ter que me desculpar quando isso tudo passar.

Só dá vontade de chorar, comer e me isolar. Entro em crise de carência e existência. A nostalgia e o tédio viram companheiros e a minha presença insuportável. Até o amor fica sem graça, e eu não quero nem te ver no portão da sala para não abusar tua cara.

Acho melhor então ficar em casa, poupar a tua raiva e a minha serotonina baixa...

Tudo isso por causa... de uma TPM braba!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Não sou



Ser poeta é deixar transparecer
tudo aquilo que a maioria das pessoas tenta esconder...
Não sou poeta
mas, extravaso sentimentos!

Em branco


O silêncio da noite me tranquiliza
traz calmaria
transforma fogo em brasa
lembranças em nostalgia

O sol foi embora
e levou com ele todas as agonias
que retribuíam
ao meu ócio dos últimos dias

Estou sem inspiração
nem a lua e uma bela canção
fazem-me ter idéias
e as páginas vão continuando em branco

Olho, escrevo, apago
retomo e reato
mas, tudo não passa de versos desconexos
e sem nenhum entusiasmo

Acho que estou em crise
e tenho medo que essa reincidência
cause sequelas aparentes
e transtornos para o meu inconsciente

Deixa então eu aproveitar a noite
para descansar meu coração
acalmar minh'alma
porque logo vai ser dia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O amor é brega


Acabei de escutar que o amor é brega
que dizer eu te amo é cafona
daí eu me pergunto
no que se transformou o amor?

Isso me faz pensar que talvez ele nem exista mais
pois as relações hoje são diferentes
não se fazem mais amantes como antigamente
não existe mais intensidade em nada

Simplesmente as pessoas se relacionam por conveniência
por uma bela aparência, cifrões ou acordo de corpos
parece existir apenas uma reles convivência
e uma boa pegada

Pra maioria dos jovens isso basta
e todo o resto vira fumaça
perdida em meio a trapaças
e belas noitadas

Não me venha com novas teorias
o amor pra mim vai existir um dia
não me venha com tanta modernidade
pra que o amor acabe

Sou aberta e consciente
de que as coisas andam meio mudadas
mas, não abro mão do amor
ainda que pareça antiquada

Talvez apenas por pirraça
eu fique cafona pra mostrar-lhe o amor
ou talvez não
porque o amor parece não merecer-te...

Ah, se tivesse explicação


Ah, se a paixão tivesse explicação
eu não viveria assim
achando que as horas não tem fim
e que a saudade é sentimento insistente

Ah, minha vida, meu amores
que nem sei direito se fosses
guardo tantos pedações em mim
e me perdi em tantas partes

De repente tudo volta
tentando me sufocar
e aí só me resta pensar
que vontade dá e passa

Vontade de viver momentos
matar saudades
viver outras verdades
fazer outras escolhas

Vontade daquele abraço
daquele braço
daquele barco
daquele acaso


Ah, meus sonhos, minhas fantasias
que se fizessem dia
não me faltariam sóis
que em noites
não me faltariam luas

Ah, minhas dores
que de tão sufocadas fostes
pareciam não existir
pela pressa de ir

Ah, meus senhores
que se condensá-los fosse
morreria de amores
e viveria de ébrio

Ah, memórias
que não deixam esquecer-me de nada
nem dos mais distantes dias
que contigo dividia

Ah, pobre coração
que guarda tantos rubores, humores e amores
que não deixa passar nada
nem as paixões de pirraça

Ah, sentimento leviano
que mentes para o meu inconsciente
confunde o meu resto de lucidez
e mistura tudo em uma só alma

Ah, pobre martírio
mandar-te-ei para um exílio
para que não me deixes de castigo
pela confusão da minha emoção

Acorda pra ver!!!


Já é carnaval cidade! Acorda pra ver!
Inspirada pelos versos do compositor baiano Gerônimo, me ponho a divagar sobre o grande carnaval que bate a minha porta (quase que literalmente, pois moro a poucos metros do corredor da folia).

Carnaval de Juazeiro – o pré-carnaval da Bahia, é com esse slogan que se inicia hoje mais uma folia de momo no norte baiano. E eis que surge em minha mente as primeiras inquietações: essa ainda é uma festa popular??? qual a conotação que possui hoje?

Depois de apagado por alguns anos, o antigo Juá-Fest ressurge imponente, com o resgate de tradicionais blocos, trazendo atrações nunca antes vistas na avenida (para felicidades dos chicleteiros), os bons camarotes com all inclusive ou apenas open bar, e para apimentar mais uma polêmica não poderia faltar.

Notícia do portal SG News: “Por orientação da Polícia Militar e do Conselho Nacional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Juazeiro (CREA), ficou determinado a instalação de um portão na orla fluvial da cidade, circuito oficial do pré-carnaval, que irá separar bloco de pipoca”.

- Ué! O carnaval de Juazeiro foi privatizado???? Quase meus caros amigos! Mas, a resposta aqui não seria essa. O motivo do tal portão é para “seguridade” do folião. Ainda segundo informações do portal a medida será aplicada por questões de segurança e prevenção, devido a falta de estrutura e má conservação das placas existentes na orla, estas podem cair e provocar acidentes.

Com isso acho que o atual administrador do nosso município, que acaba de assumir, pega sua primeira batata quente – é o que posso chamar de presente de grego. Se ficou constatado que existe realmente um risco de acidentes, o melhor a se fazer é realmente prevenir, para não ter que remediar. Mas, vamos um pouquinho mais longe nisso...

Se foi detectado risco foi porque não houve manutenção ou preocupação com a infra-estrutura da cidade. Lembro-me que há algum tempo atrás esse mesmo trecho ficou interditado por longos meses (ou melhor anos), para colocação de mesas por restaurantes ou bares da orla, com a alegação de que aquele espaço ficaria reservado para o pedestre, turista, prática de lazer, caminhadas, etc. Enfim, muitos bares na época fecharam suas portas, e nada foi feito pelo lazer dos juazeirenses, nem a manutenção das tais placas agora em questão.

Então, na falta de outro paliativo imediato, sobe-se um portão e separa-se o folião de bloco do folião da pipoca! Mas, não são todos foliões? Porquê um fica de um lado da corda ou do lado de fora do portão? Com meus 26 anos ainda consigo lembrar do carnaval de rua em Juazeiro, com batucadas, escolas de samba, fantasias, e todo mundo junto se divertindo nas ruas apertadas da minha querida cidade do Vale. Que saudade...

O que infelizmente percebe-se é que há um enfraquecimento dessa festa popular. Cada vez menos ela é feita para todos. E os blocos, camarotes, e afins abrilhantam a festa para poucos. A grande maioria apenas assiste, olha e deseja estar naqueles metros quadrados (dize-se de muita gente bonita) cercados por uma corda e um monte de seguranças – que se preocupam muito mais em colocar para fora algum atrevido que não esteja com a veste adequada (o abadá), do que com o filhinho de papai que está cheirando lança ou procurando confusão bem ao seu lado.

Uma da festas mais animadas e representativas do mundo, que tem sua origem no entrudo português, num período anterior a quaresma e um significado ligado a liberdade. E acho que ainda o tem, no sentido literal da palavra, pois vi esses dias na página de relacionamentos (ahhh... orkut mesmo), de um amigo meu, o nick: - no carnaval ninguém é de ninguém. Nossa! Confesso que isso me deu um medo! Quer dizer que tudo muda no carnaval? Inclusive as relações?! Depois tudo volta ao normal? Ui! Não quero nem pensar....

Bom... dentro da corda ou fora da corda, passando pelo portão ou não, em cima ou em baixo da avenida, de abadá ou sem abadá, com pulseira ou sem pulseira, vamos para rua em paz, sem armas, e com muita paz no coração! Ah, não esqueçam de usar camisinha! O resto dessa história a gente debate depois, pois a energia do carnaval é tão contagiante que até as polêmicas viram piadas...

“Eu fui atrás de um caminhão, fazer meu carnaval, que o carnaval é feito no coração...”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009