segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Marcas


O sorriso, o olhar, o jeito de falar
a cara massada ao acordar
o bom dia meio sem graça
cheio de marra
o erro querendo acertar
o pedido de desculpas que faz calar

O jeito de arrumar o cabelo
as promessa impagáveis
as juras eternas
a lágrima não derramada
a palavra não dita

A trilha sonora
o suspiro, o cheiro, o gosto, o desgosto
o salto, o sobressalto, o enlaço, o desenlace
a lua que estava cheia, o sol que brilhava
o rio que banhava

As flores não dadas
os cartões guardados
os presentes e as ausências
o temperamento e o tempero

O ciúme, a posse, a liberdade
os lugares inexplorados
as fotografias, a falta de registros
as capturas oculares

Os sonhos, as ideologias
a tarde fria, a noite quente
o vinho sem jantar
o violão sem luar
o barco sem velar
a lua sem o mar

O abraço, o aconchego, o desprezo
o ar e a falta de ar
o ir e o ficar
a memória, as lembranças e a saudade

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Desejos


Queria poder ter tudo aquilo que desejo
mas, isso seria demasiadamente arriscado
já que desejo o que não posso ter
e o que não devo querer

Sou um turbilhão
e o que hoje quero
amanhã já não quero mais
então, como desejar ter
o que amanhã não vou amar

Desejaria só por um dia entender toda essa confusão
fazer uma visita ao meu coração
ser um turista nos meus sentimentos
ou um decodificador de sonhos

Essa loucura parece não ter fim
e a cada dia que passa
a ansiedade consome meu resto de sanidade
e a minha alma

Nem sei mais o que desejo
fico louca por seus beijos
mas, só por hoje
pois amanhã não te quero mais
ou quero não querer-te

Isso não é proposital
e de tão casual
acaba ficando banal

A culpa é do meu coração
que não decide então
o que desejar
nem pra onde olhar

E eu vou seguindo
desejando não ter desejos
querendo não alcançar teus beijos

O que eu desejo de verdade
é amar-te
alguém para amar-me
e desejar
calar-me o resto de solidão

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ainnnnnnnnnnnn


Tem dias em que tudo me irrita: a água fria, o tempo quente, a comida mal temperada, o cabelo sem brilho, as gorduras localizadas, os primeiros cabelos brancos, as celulites, e as iniciais marcas de expressão. As conversas e as vozes tornam-se insuportáveis. As desculpas não me interessam, os versos não me completam, a música não me agrada, os sentimentos não me comovem.

Percebo que preciso de óculos, menos ócio, e mais “ópio”. Evito pessoas, presenças e telefonemas.
Me entupo de chocolate e fico com desejo de sumir em meio ao nada.

Não consigo concluir etapas, fechar ciclos, daí vou me dividindo e perdendo-me onde acho. Sofro de mau-humor repentino, e em um minuto eu posso te odiar, nesse caso prefiro me afastar, pra não ter que me desculpar quando isso tudo passar.

Só dá vontade de chorar, comer e me isolar. Entro em crise de carência e existência. A nostalgia e o tédio viram companheiros e a minha presença insuportável. Até o amor fica sem graça, e eu não quero nem te ver no portão da sala para não abusar tua cara.

Acho melhor então ficar em casa, poupar a tua raiva e a minha serotonina baixa...

Tudo isso por causa... de uma TPM braba!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Não sou



Ser poeta é deixar transparecer
tudo aquilo que a maioria das pessoas tenta esconder...
Não sou poeta
mas, extravaso sentimentos!

Em branco


O silêncio da noite me tranquiliza
traz calmaria
transforma fogo em brasa
lembranças em nostalgia

O sol foi embora
e levou com ele todas as agonias
que retribuíam
ao meu ócio dos últimos dias

Estou sem inspiração
nem a lua e uma bela canção
fazem-me ter idéias
e as páginas vão continuando em branco

Olho, escrevo, apago
retomo e reato
mas, tudo não passa de versos desconexos
e sem nenhum entusiasmo

Acho que estou em crise
e tenho medo que essa reincidência
cause sequelas aparentes
e transtornos para o meu inconsciente

Deixa então eu aproveitar a noite
para descansar meu coração
acalmar minh'alma
porque logo vai ser dia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O amor é brega


Acabei de escutar que o amor é brega
que dizer eu te amo é cafona
daí eu me pergunto
no que se transformou o amor?

Isso me faz pensar que talvez ele nem exista mais
pois as relações hoje são diferentes
não se fazem mais amantes como antigamente
não existe mais intensidade em nada

Simplesmente as pessoas se relacionam por conveniência
por uma bela aparência, cifrões ou acordo de corpos
parece existir apenas uma reles convivência
e uma boa pegada

Pra maioria dos jovens isso basta
e todo o resto vira fumaça
perdida em meio a trapaças
e belas noitadas

Não me venha com novas teorias
o amor pra mim vai existir um dia
não me venha com tanta modernidade
pra que o amor acabe

Sou aberta e consciente
de que as coisas andam meio mudadas
mas, não abro mão do amor
ainda que pareça antiquada

Talvez apenas por pirraça
eu fique cafona pra mostrar-lhe o amor
ou talvez não
porque o amor parece não merecer-te...

Ah, se tivesse explicação


Ah, se a paixão tivesse explicação
eu não viveria assim
achando que as horas não tem fim
e que a saudade é sentimento insistente

Ah, minha vida, meu amores
que nem sei direito se fosses
guardo tantos pedações em mim
e me perdi em tantas partes

De repente tudo volta
tentando me sufocar
e aí só me resta pensar
que vontade dá e passa

Vontade de viver momentos
matar saudades
viver outras verdades
fazer outras escolhas

Vontade daquele abraço
daquele braço
daquele barco
daquele acaso


Ah, meus sonhos, minhas fantasias
que se fizessem dia
não me faltariam sóis
que em noites
não me faltariam luas

Ah, minhas dores
que de tão sufocadas fostes
pareciam não existir
pela pressa de ir

Ah, meus senhores
que se condensá-los fosse
morreria de amores
e viveria de ébrio

Ah, memórias
que não deixam esquecer-me de nada
nem dos mais distantes dias
que contigo dividia

Ah, pobre coração
que guarda tantos rubores, humores e amores
que não deixa passar nada
nem as paixões de pirraça

Ah, sentimento leviano
que mentes para o meu inconsciente
confunde o meu resto de lucidez
e mistura tudo em uma só alma

Ah, pobre martírio
mandar-te-ei para um exílio
para que não me deixes de castigo
pela confusão da minha emoção

Acorda pra ver!!!


Já é carnaval cidade! Acorda pra ver!
Inspirada pelos versos do compositor baiano Gerônimo, me ponho a divagar sobre o grande carnaval que bate a minha porta (quase que literalmente, pois moro a poucos metros do corredor da folia).

Carnaval de Juazeiro – o pré-carnaval da Bahia, é com esse slogan que se inicia hoje mais uma folia de momo no norte baiano. E eis que surge em minha mente as primeiras inquietações: essa ainda é uma festa popular??? qual a conotação que possui hoje?

Depois de apagado por alguns anos, o antigo Juá-Fest ressurge imponente, com o resgate de tradicionais blocos, trazendo atrações nunca antes vistas na avenida (para felicidades dos chicleteiros), os bons camarotes com all inclusive ou apenas open bar, e para apimentar mais uma polêmica não poderia faltar.

Notícia do portal SG News: “Por orientação da Polícia Militar e do Conselho Nacional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Juazeiro (CREA), ficou determinado a instalação de um portão na orla fluvial da cidade, circuito oficial do pré-carnaval, que irá separar bloco de pipoca”.

- Ué! O carnaval de Juazeiro foi privatizado???? Quase meus caros amigos! Mas, a resposta aqui não seria essa. O motivo do tal portão é para “seguridade” do folião. Ainda segundo informações do portal a medida será aplicada por questões de segurança e prevenção, devido a falta de estrutura e má conservação das placas existentes na orla, estas podem cair e provocar acidentes.

Com isso acho que o atual administrador do nosso município, que acaba de assumir, pega sua primeira batata quente – é o que posso chamar de presente de grego. Se ficou constatado que existe realmente um risco de acidentes, o melhor a se fazer é realmente prevenir, para não ter que remediar. Mas, vamos um pouquinho mais longe nisso...

Se foi detectado risco foi porque não houve manutenção ou preocupação com a infra-estrutura da cidade. Lembro-me que há algum tempo atrás esse mesmo trecho ficou interditado por longos meses (ou melhor anos), para colocação de mesas por restaurantes ou bares da orla, com a alegação de que aquele espaço ficaria reservado para o pedestre, turista, prática de lazer, caminhadas, etc. Enfim, muitos bares na época fecharam suas portas, e nada foi feito pelo lazer dos juazeirenses, nem a manutenção das tais placas agora em questão.

Então, na falta de outro paliativo imediato, sobe-se um portão e separa-se o folião de bloco do folião da pipoca! Mas, não são todos foliões? Porquê um fica de um lado da corda ou do lado de fora do portão? Com meus 26 anos ainda consigo lembrar do carnaval de rua em Juazeiro, com batucadas, escolas de samba, fantasias, e todo mundo junto se divertindo nas ruas apertadas da minha querida cidade do Vale. Que saudade...

O que infelizmente percebe-se é que há um enfraquecimento dessa festa popular. Cada vez menos ela é feita para todos. E os blocos, camarotes, e afins abrilhantam a festa para poucos. A grande maioria apenas assiste, olha e deseja estar naqueles metros quadrados (dize-se de muita gente bonita) cercados por uma corda e um monte de seguranças – que se preocupam muito mais em colocar para fora algum atrevido que não esteja com a veste adequada (o abadá), do que com o filhinho de papai que está cheirando lança ou procurando confusão bem ao seu lado.

Uma da festas mais animadas e representativas do mundo, que tem sua origem no entrudo português, num período anterior a quaresma e um significado ligado a liberdade. E acho que ainda o tem, no sentido literal da palavra, pois vi esses dias na página de relacionamentos (ahhh... orkut mesmo), de um amigo meu, o nick: - no carnaval ninguém é de ninguém. Nossa! Confesso que isso me deu um medo! Quer dizer que tudo muda no carnaval? Inclusive as relações?! Depois tudo volta ao normal? Ui! Não quero nem pensar....

Bom... dentro da corda ou fora da corda, passando pelo portão ou não, em cima ou em baixo da avenida, de abadá ou sem abadá, com pulseira ou sem pulseira, vamos para rua em paz, sem armas, e com muita paz no coração! Ah, não esqueçam de usar camisinha! O resto dessa história a gente debate depois, pois a energia do carnaval é tão contagiante que até as polêmicas viram piadas...

“Eu fui atrás de um caminhão, fazer meu carnaval, que o carnaval é feito no coração...”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Conflito


Sentimentos conflitantes
se debatem entre si
uma hora são cereja
noutra são caqui

Vão pela direita
depois querem voltar
tomam o caminho errado
e ficam a querer se camuflar

São voláteis e efêmeros
fugazes e baratos
não duram mais que um breve instante
não duram mais que a eternidade
não duram mais que o seu pensar

Podem ser profundos e complexos
honestos e irracionais
prolixos ou casuais
obtusos ou diagonais

Conflitantes
com uma mão dupla
pra ir e voltar
ou apenas só ficar
numa hora são retas
noutra linhas curvas

Hoje não estou a fim...


Hoje não estou a fim de nada! Vá ler um bom livro, ouça uma boa música, saia com amigos, namore, cante, pule, dance, vá ao teatro, ao cinema. Converse com seus pais, seu avós, irmãos. Faça algo que deseja há muito tempo. Ligue pra um amigo distante, diga a alguém o quanto você o ama, faça alguém sorri, dê colo a quem precisa, desabafe se for preciso, perdoe se for o caso, fique sozinho se necessário. Mas, faça alguma coisa!

Não deixe o tédio, o ócio, ou a nostalgia tomar conta de você... Não deixe a saudade ser maior que a sua vontade. Não deixe que te roubem seus pensamentos. Não deixe a insegurança te paralisar. Não deixe pensamentos tolos te perseguirem. Não deixe o amor te sufocar. Não deixe a carência te atropelar. Não deixe o ciúme te abobalhar. Não deixe a vida passar...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Melhor não escutar


Você escuta pensamentos?
Às vezes tenho medo dos meus
Porque alternadamente são mórbidos, sarcásticos e derrapantes

Penso que vou desfalecer, desaparecer
e as linhas a que me proponho
são tentativas desenfreadas
de guardar-me para posteridade

Porventura mato quem amo
reencarno pesadelos
com ou sem objetivos
outrora por mera prospecção

Penso em chegadas e partidas
momentâneas ou definitivas
em portos e derivas
e conto de trás para frente

Vejo-me sem pessoas e lugares
sem vida e sem amores
penso sentimentos maus
olhares lânguidos
e desejos perniciosos

Penso na dor e no sofrimento
no mundo como um confinamento
de almas perdidas e errantes
que tentam desesperadamente algum caminho
mais curto do que o de costume

Vou deixando tudo de maneira cadenciada
para que na hora da minha passagem
tenham relatos de mais profunda alma
com sentimentos exalantes
e uma vontade vibrante
de não esconder nada

E celebro, pois são apenas pensamentos
que por poucos momentos
transitam meu cerebelo
pois perigoso seria
se eles escapassem
e se fizessem verdades
no meio do dia
ou na sobra pitoresca da noite...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Saudade pra quem sabe?


Saudade existe pra quem sabe ter?
E quem sabe ter saudade?
É preciso saber pra ter saudade?

É preciso sentir, viver, amar, se entregar
pra ter saudade...
É preciso uma voz, um cheiro, o som de uma risada
uma melodia que embala, um desejo, um gosto, um lugar
pra ter saudade...

É preciso ser feliz
pra ter saudade...
É preciso cantar, dançar, flutuar
pra ter saudade...
É preciso prazer, um bem querer, e um dizer
pra ter saudade...

É preciso tocar, extravasar, pulsar, suar
pra ter saudade...
É preciso simplesmente calar, apreciar, contemplar
pra ter saudade...
É preciso um segundo, um momento, uma vida inteira
pra ter saudade...

E depois de fazer tudo que for preciso
Você aprende a ter saudade?
E compreende que ela pode ser maior que o mundo?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bicho Arredio


Sou isso, isto e aquilo
basta provocar
ou deixar passar
não gosto muito de regras
por isso não vou me lamentar
em ter que deixar você esperar

Falho com meus compromissos
sou bicho meio arredio
não me dou com cabrestos
e é bom parar de me testar
pois sei que poderia me organizar

Poderia, mas não queria
estava experimentando o mundo
vivendo paixões
matando saudades
vendo dias amanhecerem
para esperar anoitecerem

Antes que pergunte
sim! Gosto de escrever sobre felicidade
mas, estava ocupada demais
não podia parar
estava inebriada com meus próprios sentimentos

Talvez um dia eu conte
tudo que me enalteceu
ou talvez não
pra que você viva sua própria magia
Mas, baixinho vou sussurrando
foi o que de melhor me aconteceu

Estou renovada
mas, confesso que não pronta pra realidade
ainda ando sonhando acordada
e por isso pode ser que eu divague
mas, que graça teria se assim não o fosse

Vamos voltando
aos poucos vamos retomando
a cadência dos dias e das palavras
Só não crie muitas expectativas
sou péssima em atendê-las
prefiro deixar assim como está
fazendo surpresas ao seu pensar

Tanta felicidade deixou saudade
e por onde passo sinto presenças e sorrisos
ouço música e a sua voz
fecho os olhos e ainda posso tocar
em tudo que me fez amar

Assim são os momentos
vão voando e virando passado
passado de um futuro que eu quero ter
e de um presente que me faz viver
intensamente cada dia

Continuo arredia
e agora sigo pra onde minha felicidade está
então não tente me prender
aprendi a ser livre
inclusive de mim mesma
então (se quiser) apenas tente me acompanhar...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Jingle Bell! Jingle Bell!


Está chegando o natal e as tradicionais festas de final de ano, e essas datas sempre me trazem alguns questionamentos e inquietações. Vamos partir do princípio de que o natal seja uma data comemorativa da igreja Católica, que celebra o nascimento de Cristo e de que a passagem do ano seja um momento de reflexão e análise de tudo que aconteceu e de tudo que aspiramos para 365 dias que se seguem.

Quantas pessoas realmente lembram disso? Falo sinceramente... Você que por ventura esteja lendo esse texto já parou para pensar no real significado de tudo isso? Já parou na noite de natal, orou, agradeceu a Deus por estar em família (partindo do pressuposto de que você se reúna com sua família), e as dádivas Divinas, inclusive da própria vida? Ou simplesmente trocou presentes e ainda reclamou do que ganhou, pois foi inferior ao que deu?

Já parou na virada de ano e fez uma reflexão desse momento mágico? Ou simplesmente pulou três ondinhas (ou são sete?), comeu algumas uvas e fez qualquer outro tipo de simpatia só porque viu alguém fazendo e para não correr o risco de ter um ano de pouca sorte comprou até peça nova amarela (para trazer dinheiro – já que a situação está tão difícil e você tem medo que isso atinja também sua vida)?

Hoje o que vemos são datas quase que puramente comerciais. O governo e demais empresas privadas injetam dinheiro na economia (com o 13º salário), abusam das propagandas e agora até das promoções, para que as pessoas aumentem seu poder de compra, e consumam, consumam muito nesse cenário altamente capitalista. Esse é o período do ano em que o comércio mais bate recordes de vendas.

E o bom velhinho (digo Papai Noel), foi criado por quem? Será que simplesmente para incitar a compra de presentes? Porque realmente você não vai deixar seu filho, sobrinho ou alguém que você goste muito com o sapatinho esperando na janela...

Não quero destruir os sonhos de nenhuma criança, muito menos parecer radical, ao tecer esse tipo de comentário. Tudo tem dois lados. E se é bom para o comércio, é bom para economia, é bom para nós pobres mortais, pois afinal centenas de empregos temporários são gerados (esperança de muitos – que esperam o ano inteiro por essa oportunidade e que fazem das tripas, coração, trabalhando até às 23h da véspera de Natal – isso sem falar dos que trabalham nos dias 25 e 31 para proporcionar grandes festas e eventos – com o objetivo de tentar segurar o emprego após a euforia consumista, ou simplesmente para levar o pão de cada dia para casa).

Claro que é bacana a troca de presentes, a roupa nova no réveillon (para dar sorte), mas que não seja só isso. O grande problema é que tem gente que gasta o que tem, e o que não tem para muitas vezes apenas “impressionar”, e já entra o novo ano com mais dívidas, e provavelmente passe o restante dos meses tentando quitá-las ou amortizá-las.

Os apelos da mídia , de algumas campanhas publicitárias, para tentar sensibilizar as pessoas à caridade e à partilha, são até válidos de certo modo, mas com certeza as crianças que vivem em orfanatos e na rua não precisam de boa alimentação, roupas e brinquedos apenas no final do ano.

O perdão, a caridade, o respeito ao ser humano devem ser praticados diariamente, em todos os momentos. Portanto, não espere chegar as festas para ser solidário, para pensar no próximo, para perdoar, para dizer que ama, para se confraternizar com sua família ou amigos. Mas, se não foi possível durante os 12 meses – por qualquer motivo que seja, então aproveite sim o Jingle Bell.

Faça com que esses momentos sejam realmente especiais. Reúna pessoas que você ame, se puder viaje para passar o natal com seus familiares, se não puder reúna bons amigos. Abrace seus pais, seus irmãos, seus avós, diga o quanto eles são importantes, e o quanto é bom tê-los presentes em sua vida. Faça uma ligação para aquele amigo distante. Agradeça a Deus, faça uma oração – mas, uma oração de verdade, com todo seu coração. Entre em sintonia com o universo, com a natureza. Faça das falhas e dos erros, motivos para torná-lo uma pessoa melhor. Faça planos, trace metas, objetivos, pense onde quer chegar daqui a um ano. Seja feliz hoje pelo que tem, principalmente pela saúde. Não perca tempo. A vida passa rápido, e muitas vezes as pessoas que amamos são tiradas da gente muito depressa, e sem aviso prévio.

Ah, e troque de presentes sim, desde que isso não te deixe endividado. Se não puder dar um presente, dê um abraço, muitas vezes isso vale muito mais... Só não deixe de estar perto das pessoas que ama... Mais do que comemore, celebre!


Jingle Bell! Jingle Bell! Ho Ho Ho!
Feliz Natal a todos!

Todo mundo nasce para o que é


Às vezes fugimos de nós mesmos
da nossa essência
nos desviamos por caminhos confusos
e perdemos o eixo

Mas, a verdade é que tudo isso é passageiro
sempre voltamos ao começo de tudo
pra o que nascemos pra ser
pra o que fomos criados

E só com o tempo aprendemos
o que nos faz fortes
o que realmente importa
e começamos a encarar a maturidade como um fato

Começamos a apurar nosso gosto
a escolher as companhias
a entender que o meio influencia
e a não nos deixar levar pelas simples aparências

Aprendemos o real significado do ditado:
“antes só do que mau acompanhado”
e constatamos que temos mais dos nossos pais em nós do que imaginamos
e que isso nos faz um bem enorme

Deciframos a síntese de que:
o caráter vem com nossa essência
é moldado pela educação
e exterioriza na personalidade

Mas, não se preocupe em entender tudo isso agora
pois a maioria desses aprendizados vem aos poucos
se apresenta em capítulos distintos da vida
e quando você se der conta já se tornou pra o que nasceu

Não que me falte inspiração
e que eu queira economizar algumas linhas
mas é que não há muito o que explicar
um dia você vai entender e retornar pra onde deveria estar...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Se conselho fosse bom...


Dizem que se conselho fosse bom a gente não dava, e sim vendia. Mas, sem cobra-lhe o preço aqui vão alguns...

Nunca perca uma oportunidade, ela pode lhe levar para onde você realmente vai querer estar. Às vezes as oportunidades vêm camufladas, mas ao percebê-las arrisque, vá onde elas estão, e espere a colheita dos frutos.

Não guarde mágoas em seu coração... Como vi no nick de um grande amigo esses dias: guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra. Mas, como diz outro: no orkut só tem modelo e no msn só tem poeta... então fique com suas verdades e impressões!

Seja feliz sempre! Seja feliz hoje! Seja feliz todos os dias! Nem que seja por um minuto apenas! A vida é curta... então faça valer à pena! Descubra a mágica da vida e dos acontecimentos! A felicidade está ao seu alcance! Abra os braços e deixe ela chegar perto... experimente ser feliz...

Faça sempre o melhor que puder, em todos os sentidos, e faça por você – porque só assim você não corre o risco de se decepcionar! Além disso, o mundo não para de girar, e se você não obteve reconhecimento hoje, com certeza ele virá, e talvez venha no momento que você mais precise...

Se entregue à vida, ao amor, à felicidade. Sorria, chore, cante, sofra, brinque, extravase, morra de amor, se apaixone, perdoe, caia, levante, viva tudo intensamente! Só assim tudo valerá a pena...

E por último...

Siga sempre sua intuição! Ela é sábia...

Namastê!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma crítica às novas relações


Existem várias teorias e vários “teóricos” falando sobre a mudança das relações humanas, inclusive sobre a alternância dos conceitos “amorosos”. É um tema explorado por muitos, com ou sem substância, mas que povoa todas a mentes, inclusive de “filósofos” de mesa de bar como eu.

Entre chops, drinks, rodas de amigos, conversas banais, observações mundanas, e puro empirismo, fui montando minhas próprias concepções e citações.

Em menos de uma década podemos observar pontos relevantes de um novo comportamento sexual e “amoroso” de toda uma sociedade. – Repare que utilizo sempre o amor ou seus derivados aspado porque nem os conceitos de amor são mais os mesmos. O amor que inspirou grandes poetas, tornou-se banal, quando não supérfluo.

Relembrando a fase adolescente do meu distinto grupo de amigas, lembro-me como hoje (Nossa! Já se passaram bons anos!) de que nunca pregamos ser santas, às vezes até nos chamávamos de “piriguetes”, encarávamos muitos reggaes (como chamamos festas, baladas por aqui), regados a algumas cervejas e muito beijo na boca – principalmente nos bons carnavais da vida.

Mas, só isso! Tudo muito saudável (se é que pode-se dizer assim). Sempre fomos garotas decidas, determinadas e autênticas. Recordo-me bem das primeiras revelações a respeito de sexo. O máximo que os garotos desciam a mão era até a cintura, pegar na bunda já era desrespeitoso – apenas permitido para namorados. E nisso nós tínhamos 16, 17, 18 anos!

O que vemos hoje são garotas de 12, 13, 14 anos “ralando a tcheca no asfalto”, insinuando um ato sexual ao ritmo do bom pagode baiano, arrocha, e ritmos afins. E não fica só nisso, olhou, sorriu, elas pegam geral. De ficantes, os garotos passaram a “merendinha”, no sentido mais chulo que o termo possa oferecer. Uma noite de sexo muitas vezes é “paga” com algumas cervejas, uma volta no carro novo da “merenda” com um som estrondando os tímpanos, e músicas que provocam a libido.

Fidelidade, lealdade e respeito são palavras banidas do dicionário da maioria dos jovens. E a traição hoje virou ato corriqueiro, admitido e assumido por “putões” e “gostosonas”. É... não são só mais os homens que traem por prazer, as mulheres também, e quando o fazem são bem piores que a espécie masculina (e esse não é um comentário machista – apenas uma retratação da realidade).

A verdade é que os relacionamentos tornaram-se tão instáveis e fugazes, que muitos aceitam essa condição porque entendem que não vão encontrar nada melhor mesmo. Porquê muda-se o parceiro, mas não o “problema”. Como quase mais ninguém assume compromisso, os poucos que conseguem a façanha de manter uma relação em meio a micaretas, e calendários de festas (de pura pegação) o ano inteiro, se acham tão vitoriosos que pagam o preço (da traição).

Casamento ficou demodê, arcaico, e até um ato leviano, se pensado do ponto de vista que as pessoas já casam com o seguinte pré-conceito: se não der certo separa!. A instituição da família está falida. O “barato” agora é juntar as escovas de dente, e produção independente. Os filhos crescem sem referências, sem educação de berço (é... ainda acredito nesses valores), e o mínimo de respeito pelos pais (ou geradores). O “futuro da nação” serão os próximos “pegadores” (e tenho até medo de pensar com que idade começará a vida sexual e “amorosa” desses meninos e meninas).

Esses não são conceitos hipócritas, radicais ou repressores. Concordo que mulheres de verdade podem e devem viver sua liberdade sexual, ter suas aventuras, satisfazer suas fantasias e prazeres. Ter noites de sexo, sem amor, pelo puro prazer. Isso tudo acontece, e pode ser muito bom. O ponto chave aqui é respeito. Porque muitas mulheres lutaram tanto pela liberdade sexual que acabaram tornado-se objetos a disposição do reles prazer masculino.

A crítica é à banalidade das relações, inclusive das casuais. Porque muitas mulheres vão pra cama com “homens” que após o ápice do prazer sexual, não querem mais nem olhar para suas caras ou saber seus nomes. As mulheres abriram tanto as pernas, literalmente, que os homens não se preocupam mais nem em conversar dez minutos se quer com elas. E tudo acaba em meia hora (ou enquanto durar o gás do garotão)...

E o pior é constatar que tudo isso acontece com o consentimento das mulheres, porque se eles agem assim é porque elas permitem. Porque quando um não quer, dois não f... (já dizia o ditado)... Diante de tudo pergunto-me: onde tudo isso vai parar? - e a resposta vem a cavalo... (na cama de um motel! - na maioria dos casos).

sábado, 13 de dezembro de 2008

Solidão proposital e natural


Esses dias são de solidão
de profunda introspecção
tudo meramente proposital
quase natural

Dias assim sempre rondaram-me
e já foram bem mais extensos
de tal forma
que perdia a noção do tempo

Preciso disso pra tentar colocar
tudo no lugar
mesmo que o resultado
seja ainda mais desconexo

Tenho visitado memórias
glórias e fracassos
tentando entender
quais foram os meus passos

Sinto-me irritada
irritável
entediada
e sem a mínima sutileza

Tenho pensado muito
em nós, vós e outros
nos meus anjos e demônios
em tudo que era pra ser e não foi

Não estou boa pra conselhos
custo a me olhar no espelho
e não me venha com seus atropelos
tentando colocar razão na minha emoção

Não pense que submergi
mas, é que sempre fui assim
e só assim cheguei aqui
tudo isso sempre fez parte

Será que lhe desapontei?
Desculpe-me pelos rubores
mas, é que jurei
não mais me esconder

Então se hoje não quero conversa
me deixa, solta minha mão e entenda
que é em dias assim
que mais me revelo e mais me acho

Pois tenho temperamento reticente
olhar eloquente
humor alternante
e defeitos inerentes

Posso ser amarga
impaciente
injusta
e até arrogante

Melhor parar por aqui
pra você não achar
que não consigo me encontrar
volto ao ponto de partida

Pois prefiro ficar com a solidão
do que com seu julgamento
que pode ser pequeno
diante dessa imensidão do meu pensamento...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Penso que pensar menos


Tento organizar meus pensamentos
mas eles não obedecem
a cronologia do tempo

Eles vêm e vão
pra frente, pra trás
não tem começo, meio ou fim

Simplesmente perambulam
por uma sucessão de acontecimentos
que preferia nem lembrar

Mas, insistentes
me põem a divagar
por lugares que nem queria estar

Sem inspiração, causa ou consequência
eles aparecem e desaparecem
no meu infinito particular

Porém, não os culpo
pelo desconforto
afinal as escolhas não foram casuais

Queria lembrar-me apenas
daquele luar
e de tudo que fez-me feliz

Refutando...
não jogaria nada fora
pois tudo me trouxe ao que sou agora

É só uma mania passageira
essa de me reportar
ao que não vale nem se culpar

Isso não é um aporte nostálgico
poderia sê-lo
já que minha essência o é

Mas, é só um momento
dos meus pensamentos
que teimam em não silenciar...